
Na bolsa de Nova York, o contrato do açúcar bruto com vencimento em maio fechou a sessão desta terça-feira (10) cotado a US$ 14,38 centavos por libra-peso, com queda de 1,44%, diz nota da “CNN”.
Segundo dados da Barchart, o mercado foi pressionado pela queda de cerca de 11% nos preços do petróleo bruto. A desvalorização da energia reduz a competitividade do etanol e pode incentivar usinas a direcionar mais cana para a produção de açúcar, elevando a oferta global.
De acordo com o executivo comercial do setor sucroenergético Leonardo Silvestre, três fatores principais têm orientado o comportamento do mercado.
O primeiro é o impacto do conflito envolvendo o Irã. As limitações na rota do Estreito de Ormuz afetam a logística e a demanda no Oriente Médio, importante polo importador de açúcar bruto utilizado por refinarias da região.
Outro ponto é a influência do petróleo sobre o mercado de combustíveis no Brasil. A valorização da commodity eleva a paridade dos combustíveis e tende a estimular o consumo de etanol.
Mesmo sem repasse imediato de reajustes pela Petrobras, distribuidoras têm ampliado compras para formação de estoques, movimento que fortalece a demanda pelo biocombustível. Com isso, as usinas podem direcionar maior parcela da moagem da cana para etanol, reduzindo a oferta de açúcar.
O terceiro fator envolve os fundamentos do mercado, em que os preços do açúcar recentemente atingiu mínimas e fundos especulativos podem estar revertendo posições vendidas estimadas em cerca de 245 mil lotes. “A rentabilidade do açúcar está inferior à do etanol no Brasil. Na região de São Paulo, a diferença de remuneração entre os dois produtos chega a aproximadamente 20%, o que reforça o direcionamento da produção para o biocombustível”, comentou à CNN Brasil.
Também há preocupação com o clima. A expectativa é de ocorrência de El Niño de intensidade moderada a forte entre junho e julho de 2026, o que pode prejudicar a produção de cana em países do hemisfério norte, como Índia e Tailândia, segundo e terceiro maiores exportadores globais de açúcar.
Cacau
Os preços do cacau também avançaram na sessão. O contrato para entrega em maio encerrou o dia cotado a US$ 3.447 por tonelada, com alta de 4,80% na bolsa de Nova York.
De acordo com a Barchart, o movimento foi impulsionado principalmente pela cobertura de posições vendidas, processo que já se estende por cerca de uma semana e meia. Investidores têm recomprado contratos diante de incertezas logísticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio.
A possibilidade de restrições no Estreito de Ormuz levanta preocupações sobre o aumento dos custos de frete e seguro no transporte marítimo. O cenário pode elevar os custos para importadores e limitar a oferta disponível no mercado internacional.
Fonte: CNN Brasil