Puxada pela região Sul, produção de etanol de trigo cresce no país

A produção de etanol de trigo no Brasil avança com novos projetos no Sul, apresentando uma alternativa promissora aos modelos tradicionais do biocombustível, diz nota da “Folha de Curitiba”.

A produção de etanol de trigo no Brasil tem ganhado destaque como uma alternativa significativa na matriz de biocombustíveis do país. Enquanto o etanol de milho avança e desafia a hegemonia da cana-de-açúcar, o trigo surge como uma terceira via promissora, especialmente nas regiões Sul, onde a cultura é tradicional.

Investimentos e projetos em andamento

No início de 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a operação da primeira usina de etanol de trigo no Brasil, localizada em Santiago, no Rio Grande do Sul. A CB Bioenergia planeja processar cerca de 100 toneladas do cereal diariamente, com uma produção anual de até 12 milhões de litros de etanol hidratado. A expectativa é de expandir essa capacidade para algo entre 45 e 50 milhões de litros até 2027, com investimentos adicionais estimados em R$ 500 milhões.

Além disso, uma parceria entre a Kepler Weber (KEPL3) e a Be8, em Passo Fundo (RS), prevê a construção de uma planta com capacidade para processar 525 mil toneladas de cereais por ano, produzindo 220 milhões de litros de etanol, além de farelo e glúten vital. Este complexo terá um investimento total de cerca de R$ 1,26 bilhão, incluindo a construção de silos para armazenamento, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2026.

A produção nacional de trigo está concentrada majoritariamente na região Sul do Brasil, responsável por aproximadamente 80,85% do total, com destaque para o Rio Grande do Sul (47,53%) e Paraná (33,32%).

Essa concentração geográfica explica o foco dos projetos de etanol de trigo nessas regiões. No Rio Grande do Sul, o desenvolvimento dessa indústria tem potencial para agregar valor a uma cultura já tradicional no estado, que atualmente importa etanol de outras regiões devido à baixa autossuficiência.

No Paraná, o setor enfrenta a concorrência do etanol de cana-de-açúcar, especialmente nas áreas próximas ao oeste paulista. Entretanto, a forte tradição na produção de cereais no Sul do Brasil favorece o desenvolvimento do etanol de trigo nesta região.

Fonte: Folha de Curitiba