Preço do etanol pago ao produtor deve seguir firme até março

Bombas de combustível — Foto: Foto: Flickr/Governo da BA

A entressafra do ciclo 2025/26 no setor sucroenergético, que vai de janeiro a março, tende a manter valores do etanol relativamente firmes para o produtor, mesmo em um cenário de incertezas mais amplas, destaca matéria do “Capitalist”.

Segundo análise do Cepea/Esalq-USP, esse suporte vem principalmente da combinação entre demanda ainda aquecida e estoques reduzidos do biocombustível no Centro-Sul. Com oferta menor, o mercado encontra dificuldade para registrar quedas mais expressivas nos preços durante esse período.

Nova safra acende sinal de cautela no mercado

O cenário, porém, começa a mudar a partir de abril de 2026, quando tem início oficial a safra 2026/27. Para esse novo ciclo, o clima entre os agentes do setor é de maior atenção e cautela.

Especialistas apontam que o mercado passará a observar de perto dois fatores decisivos: o comportamento das cotações internacionais do açúcar e a expansão da produção de etanol no Brasil. Existe o risco de a oferta crescer em um ritmo mais acelerado do que a demanda, o que pode pressionar os preços do biocombustível.

Produção maior pode limitar os preços

De acordo com projeções preliminares, a moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul na safra 2026/27 deve girar em torno de 625 milhões de toneladas. Esse volume expressivo amplia a disponibilidade de matéria-prima e reduz os fatores de sustentação para as cotações do etanol ao longo do ciclo.

Pesquisadores do Cepea avaliam que, nesse contexto, a temporada tende a apresentar poucos elementos capazes de sustentar os preços. Ao contrário, cresce a possibilidade de pressão baixista sobre os valores do biocombustível.

Açúcar em excesso no mundo muda estratégia das usinas

No mercado internacional de açúcar, as perspectivas também apontam para um cenário mais frouxo. A expectativa é de superávit global, com maior oferta do adoçante e aumento da participação vendedora no próximo ano

Caso os preços externos do açúcar enfraqueçam, as usinas brasileiras podem rever o mix de produção, destinando uma parcela maior da cana para a fabricação de etanol. Esse movimento, embora natural do ponto de vista econômico, tende a aumentar ainda mais a oferta do biocombustível e reforçar a pressão sobre as cotações internas.

Petróleo e etanol de milho entram na equação

Outro ponto de atenção destacado por agentes do setor é o comportamento do preço do petróleo, que influencia diretamente a competitividade do etanol frente à gasolina. Oscilações no mercado internacional de energia podem alterar a dinâmica de consumo ao longo da safra.

Além disso, o etanol de milho segue ganhando espaço no mercado brasileiro. A safra 2025/26 já registrou crescimento em relação ao ciclo anterior, e a participação desse tipo de etanol no total produzido deve continuar avançando nos próximos anos.

Esse aumento da produção a partir do milho adiciona mais um fator de oferta ao mercado, contribuindo para um ambiente mais competitivo e desafiador para os preços do etanol no médio prazo.

Fonte: Capitalist