Política de fertilizantes é segurança nacional

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A alta do preço do petróleo, que ultrapassou US$ 100 por barril, reacendeu um debate crucial para o agronegócio brasileiro: a necessidade urgente de uma política nacional de fertilizantes efetiva, diz nota da “CNN Brasil”.

O Brasil, um dos maiores produtores agrícolas do mundo, importa grande parte dos fertilizantes utilizados em suas lavouras, o que expõe o país a vulnerabilidades significativas quando há instabilidades no mercado internacional, como o atual conflito no Oriente Médio. Esta dependência externa representa um risco para a segurança alimentar e para a economia nacional.

O tema não é novo, mas continua sem receber a devida atenção. Eu, como representante do setor, participei de uma reunião sobre o tema em 2007. Estamos em 2026 e continuamos nessa discussão. O Plano Nacional de Fertilizantes, que deveria ter sido lançado em 2010, só saiu em 2022, demonstrando o atraso do país em tratar a questão como prioridade estratégica.

Enquanto países como Estados Unidos, China e nações europeias possuem políticas específicas para fertilizantes, o Brasil ainda não trata o tema como interesse nacional prioritário, apesar dos potenciais impactos na inflação, segurança alimentar e exportações.

As contradições são evidentes: das seis plantas de amônia existentes em Cubatão, São Paulo, três foram fechadas entre 2024 e 2025. Além disso, o governo aumentou a tributação sobre fertilizantes no ano passado, na contramão de uma política de incentivo à produção nacional.

Perspectivas e necessidades futuras

A Petrobras está reativando fábricas de fertilizantes (Fafens) na Bahia, Sergipe, Paraná e Mato Grosso que, se tudo correr conforme planejado, estarão em pleno funcionamento até 2029. Isso poderia reduzir a dependência externa de ureia em 35%. Com um preço tão alto do gás nacional, que não se alinha com o mercado internacional, a ureia que a gente vai produzir aqui será competitiva?

Plano Nacional de Fertilizantes enfrenta forte resistência de grupos de interesse, como exportadores de fertilizantes para o Brasil e transportadores de gás no mercado interno. “Isso tem que fazer parte do nosso dia a dia em Brasília, caso contrário, esse setor gigantesco no Brasil continuará a ser dependente do mercado externo”, concluiu Brito, ressaltando que o tema impacta diretamente cerca de 30% do PIB brasileiro.

Fonte: CNN Brasil