Piora poder de compra do produtor para aquisição de fertilizantes, mostra estudo do Rabobank

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Os mercados globais de fertilizantes começam a mostrar sinais consistentes de enfraquecimento, com a alta dos preços reduzindo a capacidade de compra dos produtores e pressionando a demanda.

Segundo análise do Rabobank, esse movimento, já antecipado em projeções anteriores, passa a se materializar na queda contínua do índice de acessibilidade dos fertilizantes. Apesar de algumas regiões ainda apresentarem resiliência pontual, a leitura predominante indica desaceleração da demanda ao longo de 2025 e um quadro mais fraco em 2026, diz nota do “Agrolink”.

A média móvel de 12 meses do índice avançou ainda mais para o campo negativo, confirmando o início de um novo ciclo de baixa. O comportamento é semelhante ao observado em períodos anteriores de contração e sugere um processo mais prolongado de redução no consumo global de insumos.

O cenário regional permanece marcado por volatilidade. Nos Estados Unidos, tensões geopolíticas e tarifas comerciais tendem a impactar a próxima safra. Na Europa, a expectativa é de elevação de preços com a entrada em vigor do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira. No Brasil, produtores enfrentam margens apertadas e restrições de crédito, embora as entregas de fertilizantes possam alcançar volumes recordes em 2025. A China segue priorizando o abastecimento interno, enquanto a Índia mantém papel central no comércio global de ureia, influenciando os preços a cada novo leilão.

A demanda por ureia deve recuar em 2026 após a forte alta de preços, que já vem reduzindo o consumo, especialmente no Brasil, onde há migração para o sulfato de amônio. Os fosfatados permanecem com preços elevados, o que deve resultar em queda de 4% no consumo global em 2025, com novas reduções no ano seguinte. As exportações chinesas diminuíram, enquanto Marrocos e Arábia Saudita ampliaram embarques, mantendo o volume total de comércio limitado.

No mercado de potássio, a recuperação observada em 2024 tende a perder força em 2025 com a retomada das altas de preços. Importações recordes planejadas pelo Brasil podem atenuar a retração em outras regiões, mas, se os valores permanecerem elevados, a demanda global deve voltar a cair em 2026.

Fonte: Agrolink