Mosaic prioriza redução de custos de produção para se ‘recapitalizar’

Companhia reduziu produção de fertilizantes — Foto: Mosaic/Divulgação


Por Isadora Camargo

Executivos da Mosaic estão decididos a rever as operações globais da fabricante de adubos em 2025. Os objetivos principais são reduzir custos de produção e recuperar fluxo de caixa. Para a companhia, “recapitalizar” até 2030 é um dever de casa que começou a ser feito ano passado, após crises climáticas e resultados financeiros apertados.

Segundo o CEO, Bruce Bodine, a partir deste ano haverá decisões-chave na empresa até que “o custo de produção se normalize, o que é prioridade da Mosaic”. Os planos foram apresentados a investidores e representantes do mercado financeiro nesta terça-feira (18/3), durante um evento anual organizado pela Mosaic, em Tampa, Estados Unidos.

A companhia de origem norte-americana é uma das líderes na fabricação de fosfato e potássio combinados, mas assistiu a um recuo na sua produção de fertilizantes. Em 2024, a produção total foi de 6,3 milhões de toneladas, queda de 3 milhões de toneladas em relação aos resultados de 2023.

Entretanto, Bodine e seu time de líderes creem que a empresa começará a recuperar-se a partir deste ano. “Até o segundo trimestre de 2025, esperamos que a maioria dos projetos de confiabilidade acelerados sejam concluídos e a Mosaic deve retomar os volumes de produção próximos à capacidade”, informou a Mosaic.

Para isso, está investindo US$ 100 milhões para colocar em marcha as estratégias de recuperação de caixa, o que entraria como projeto de confiabilidade. Nenhum dos executivos detalhou quais serão as ações ao longo do ano, mas disseram que as principais estratégias serão expandir os valores do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado e realocar capital nas plantas mais produtivas.

Ano passado, o Ebitda da Mosaic foi de US$ 594 milhões, abaixo dos US$ 646 milhões na comparação anual. A meta é chegar em 2027 com a métrica financeira em US$ 650 milhões.

A ação custará à Mosaic ‘enxugar’ algumas operações, como aconteceu recentemente no Brasil, com a venda da fábrica de fosfato em Patos de Minas à brasileira Fosfatos Centro. Esse negócio e outros cortes gerarão uma economia de US$ 100 milhões a US$ 120 milhões no país.

Mas cortar custos também dependerá de um refinamento nos negócios de fosfato. De acordo com a Mosaic, a transição energética irá limitar o fornecimento de fertilizantes à base de fosfato, o que pode afetar negativamente a demanda pelo nutriente até o final desta década, em 2030. O cenário exigirá que empresas do segmento repensem seus portfólios.

Por outro lado, a demanda por biocombustíveis é uma das expectativas da Mosaic para acelerar o crescimento da distribuição de outros tipos de fertilizantes, o que compensaria uma eventual perda com o fosfato, acrescenta a Mosaic.

Fonte: Globo Rural