Diante de um cenário global pressionado por conflitos e alta nos custos de energia, o governo federal já se movimenta para evitar que a escalada dos fertilizantes comprometa a próxima safra — e, por consequência, toda a cadeia de biocombustíveis. A equipe econômica avalia incluir no Plano Safra 2026/27 um mecanismo de subvenção para insumos, com foco em amortecer o impacto dos preços internacionais sobre o produtor rural.
A proposta segue a lógica já aplicada em setores estratégicos, como combustíveis e aviação: oferecer crédito subsidiado para garantir acesso a fertilizantes a preços mais competitivos. Segundo informações da CNN Brasil, o tema ganhou status prioritário dentro do governo e deve funcionar como uma espécie de “linha de proteção” contra choques externos.
No curto prazo, o diagnóstico é de relativa tranquilidade. A maior parte dos produtores já garantiu insumos para os próximos meses, o que afasta, por ora, a necessidade de medidas emergenciais. Ainda assim, o governo mantém um plano de contingência. Caso os preços avancem antes do lançamento oficial do Plano Safra, não está descartado o uso de recursos extraordinários — em um modelo semelhante ao adotado para conter a disparada do querosene de aviação, que chegou a subir 55% com a crise no Oriente Médio.
Mas o movimento vai além do socorro imediato. O governo também discute uma estratégia estrutural para reduzir a dependência externa — hoje em cerca de 85% — e aumentar a segurança do abastecimento no médio e longo prazo. Entre as medidas em análise estão linhas de financiamento com juros reduzidos via BNDES para estimular a produção nacional, além do uso de instrumentos de política industrial, como o Plano Brasil Soberano, para fortalecer a cadeia de fertilizantes no país.
No pano de fundo, está uma preocupação maior: evitar que choques globais se traduzam em aumento de custos no campo, perda de competitividade e pressão sobre os preços dos alimentos e da energia. Em um setor cada vez mais conectado — onde fertilizantes, produtividade agrícola e biocombustíveis caminham juntos — a decisão ganha peso estratégico para os próximos ciclos.
Fonte: A Rede – Veja a matéria na íntegra aqui