Fertilizantes desaceleram no Brasil, mas oferta segue suficiente

O mercado brasileiro de fertilizantes entrou no segundo semestre com produtores mais cautelosos nas compras, em meio a juros elevados, restrições de crédito, relações de troca menos favoráveis e incertezas geopolíticas. Os dados do primeiro semestre, entretanto, não indicam falta de produto, mas uma desaceleração da demanda acompanhada por menor produção e importação.

De janeiro a junho, as entregas de fertilizantes somaram 19,02 milhões de toneladas, queda de 5,4% frente às 20,11 milhões de toneladas do mesmo período de 2025. A retração ganhou força em junho, quando foram entregues 3,55 milhões de toneladas, 17,2% abaixo do ano anterior.

Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), o primeiro trimestre ainda foi favorecido pelo desempenho da safrinha. A partir daí, tensões geopolíticas, crédito mais restrito, juros elevados, relações de troca e riscos climáticos reduziram o ritmo das negociações.

Produção nacional cai mais que entregas e importações

A maior retração ocorreu na indústria brasileira. A produção de fertilizantes intermediários caiu 16,3% no semestre, para 2,94 milhões de toneladas, ante 3,51 milhões no mesmo período de 2025.

Entre os fatores está a alta do enxofre, matéria-prima importante para a fabricação de fertilizantes fosfatados. A ANDA ressalva, porém, que os dados não capturam integralmente parte da produção doméstica de ureia e cloreto de potássio devido a mudanças societárias e retomadas de ativos.

As importações recuaram em menor intensidade. O Brasil recebeu 17,69 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários no primeiro semestre, queda de 4,2%. Paranaguá liderou os desembarques, com 4,44 milhões de toneladas, equivalentes a 25,1% das importações.

Do lado da demanda, Mato Grosso concentrou 4,90 milhões de toneladas, ou 25,8% das entregas nacionais, seguido por Paraná, Goiás, São Paulo e Minas Gerais.

Safra 2026/27 coloca poder de compra no centro das decisões

Os números reforçam que, até o momento, o principal desafio não está na disponibilidade física de fertilizantes, mas na capacidade e disposição financeira do produtor para antecipar as compras.

Com o planejamento da safra 2026/27 avançando, crédito, relações de troca, preços internacionais e riscos geopolíticos deverão determinar o ritmo das negociações.

Nesse cenário, a diferença entre a queda de 5,4% nas entregas e o recuo de 16,3% na produção doméstica também chama atenção para a elevada dependência brasileira do mercado externo e para a importância de acompanhar a evolução da oferta nacional nos próximos meses.

Fonte: Agro Revenda – Veja na íntegra aqui