EUA exportam 5,34 bilhões de litros e ampliam disputa global por etanol

Os Estados Unidos ampliaram sua presença no mercado internacional de etanol em 2026. Entre janeiro e julho, o país exportou aproximadamente 5,34 bilhões de litros, crescimento de 13% sobre igual período de 2025, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). No mesmo intervalo, as importações ficaram abaixo de 1,9 milhão de litros.

Os números reforçam a força de uma indústria apoiada por um enorme mercado doméstico. Embora a mistura predominante nos Estados Unidos seja o E10, com 10% de etanol, bem abaixo dos 32% adotados na gasolina brasileira, o volume de combustível consumido no país permite absorver grandes quantidades do biocombustível.

No fim de setembro, a produção americana de etanol estava em aproximadamente 160 milhões de litros por dia, enquanto o fornecimento de gasolina ao mercado alcançava cerca de 1,38 bilhão de litros diários, segundo dados da EIA.

A escala americana ganha importância justamente quando a produção brasileira cresce. A Conab projeta 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, avanço de 11,7%, sendo 29,98 bilhões de litros provenientes da cana e 11,91 bilhões do milho. Com mais combustível disponível, o desafio brasileiro passa por ampliar simultaneamente o consumo doméstico e as exportações. O E32 aumenta a demanda de anidro, enquanto o hidratado depende da competitividade frente à gasolina e da decisão dos proprietários de veículos flex.

No mercado externo, porém, o Brasil enfrenta uma indústria americana capaz de atender sua própria demanda e, ao mesmo tempo, aumentar significativamente os embarques. A disputa mostra que o percentual de mistura, sozinho, não determina o tamanho do mercado de etanol. Escala do consumo de combustíveis, capacidade industrial, infraestrutura, preços e acesso aos mercados são igualmente decisivos.

Para o Brasil, que entra em um novo ciclo de expansão da oferta, o ponto central será transformar os bilhões de litros adicionais em demanda. Produzir mais já está no horizonte; encontrar consumidores para esse crescimento será o próximo desafio do setor.

Fonte: Pensar Agro – Veja na íntegra aqui