O CO₂ gerado na produção de etanol pode deixar de ser apenas uma emissão do processo industrial para se transformar em um novo ativo econômico para as usinas. Uma das alternativas em estudo é a formação de arranjos coletivos para comercializar o gás com empresas especializadas em captura, transporte e armazenamento geológico permanente.
A estratégia é baseada em projetos de BECCS — bioenergia com captura e armazenamento de carbono. Como o CO₂ liberado durante a fermentação do etanol apresenta elevada concentração, sua captura tende a ser tecnicamente mais simples do que em processos industriais nos quais o gás está misturado a outros componentes.
Segundo Milas Evangelista, da Renovar Sustentabilidade, o modelo pode ser estruturado de forma que uma usina ou um grupo de unidades venda o CO₂ sem precisar assumir diretamente todo o investimento em captura e armazenamento. Uma empresa especializada ficaria responsável pelas etapas seguintes.
Carbono biogênico abre novas oportunidades
O diferencial do BECCS está no potencial de gerar remoções líquidas de carbono. A cana retira CO₂ da atmosfera durante seu crescimento e, quando o carbono biogênico produzido na fermentação é capturado e armazenado permanentemente, evita-se seu retorno à atmosfera.
Além da comercialização do próprio CO₂, projetos desse tipo podem abrir outras frentes de monetização, como créditos de carbono, etanol com menor ou até negativa intensidade de carbono e acesso a mercados que valorizam combustíveis de baixo carbono, incluindo aviação e navegação.
Também são avaliados possíveis reflexos sobre a eficiência energético-ambiental no RenovaBio e a geração de CBios, embora esses benefícios dependam do enquadramento regulatório, das metodologias de certificação e da comprovação efetiva das reduções ou remoções.
O avanço do CCS e do BECCS, portanto, pode criar uma nova camada de valor para o setor sucroenergético, conectando a produção de etanol à captura de carbono e transformando a descarbonização em uma potencial nova linha de negócios.
Fonte: RPA News – Veja na íntegra aqui