Chuvas travam moagem e podem empurrar mais cana para o etanol

O excesso de chuvas no Centro-Sul está mudando a dinâmica da safra 2026/27 de cana-de-açúcar. Além de atrasar a colheita, a elevada umidade reduz a qualidade da matéria-prima e pode levar as usinas a direcionar uma parcela maior da cana para a produção de etanol, segundo Plinio Nastari, presidente da Datagro.
Embora favoreça o desenvolvimento da biomassa, a chuva em excesso reduz o Açúcar Total Recuperável (ATR). Com menos açúcar disponível na matéria-prima, as usinas encontram maior dificuldade para aproveitar a valorização recente da commodity no mercado internacional.


Excesso de umidade reduz eficiência industrial

O problema vai além do ATR. A elevada umidade favorece pragas como a cigarrinha-da-raiz e aumenta o tombamento dos canaviais. Com a cana deitada, a colheita mecanizada se torna mais difícil e cresce o volume de impurezas vegetais e minerais transportadas até as unidades industriais.
Esse material adicional reduz o rendimento industrial e dificulta a fabricação de açúcar. A própria umidade também prejudica o processo de cristalização, abrindo espaço para que o etanol se torne uma alternativa para o processamento da matéria-prima.


Safra pode se estender até março

Outro ponto de atenção é o volume de cana que poderá ficar no campo. Nastari estima que cerca de 35 milhões de toneladas possam ser transferidas para processamento na próxima safra, superando o recorde de 24 milhões de toneladas registrado em 2015/16.

Com isso, a moagem, que tradicionalmente perde força em novembro, poderá avançar até o fim de fevereiro ou início de março.
Para o mercado de biocombustíveis, o cenário merece atenção: quanto maior a dificuldade para transformar a cana em açúcar, maior poderá ser o incentivo operacional para direcioná-la ao etanol, ampliando a oferta do biocombustível justamente em uma safra marcada por forte expansão da produção de etanol de milho.

Fonte: CNN Brasil – Veja na íntegra aqui