
Um projeto piloto em rodovias do interior de São Paulo chegou a 100 mil quilômetros rodados com caminhões movidos a biodiesel puro (B100) e os primeiros resultados indicam que o combustível vegetal pode ser uma alternativa viável para frotas que buscam reduzir emissões sem trocar todos os veículos agora, diz nota da “Exame”.
A iniciativa é da concessionária Ecovias Noroeste Paulista, do grupo EcoRodovias, em parceria com a Volkswagen Caminhões e Ônibus. Quatro caminhões usados em serviços de guincho e apoio operacional foram abastecidos exclusivamente com B100 durante cinco meses.
O principal indicador monitorado até agora foi a disponibilidade dos veículos, que ficou acima de 95%. Na prática, isso significa que os caminhões passaram menos de 5% do tempo parados para manutenção, o que é considerado um bom índice para o setor.
O projeto começou em 2025 e a ideia é testar o biodiesel em condições reais de uso, não apenas em laboratório. Ao contrário dos caminhões elétricos, que exigem estrutura de recarga e substituição da frota, o B100 pode ser usado em veículos adaptados com algumas modificações.
O combustível usado no teste é produzido a partir de soja e, segundo dados da ANP, Abiove e EPE, pode reduzir em até 90% as emissões de CO₂ em relação ao diesel comum.
Biocombustível com 90% menos emissões
Para a diretora de sustentabilidade da EcoRodovias, Monica Jaén, os números mostram que o biocombustível merece ser levado a sério.
“Alcançar 100 mil quilômetros com disponibilidade acima de 95% demonstra que é possível reduzir emissões de forma imediata, mantendo eficiência e segurança operacional. A partir disso, podemos começar a pensar em expandir a solução na própria concessionária e em outras operações do grupo”, afirma.
A empresa incluiu o teste em sua meta climática, que prevê reduzir as emissões diretas e indiretas em 25% até 2026 e 42% até 2030.
Na avaliação da montadora, os dados são consistentes. O vice-presidente de Engenharia da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Rodrigo Chaves, diz que os veículos tiveram comportamento estável. “Esses resultados reforçam o potencial do B100 e contribuem para a construção de um caminho técnica e operacionalmente viável para sua aplicação no transporte pesado”, afirma.
O projeto vai continuar até agosto, completando 12 meses de operação. Participam do teste um caminhão guincho Meteor 29.530, dois guinchos Delivery 11.180 e um caminhão-pipa Constellation 17.190. O abastecimento é feito por um caminhão-tanque na base do Serviço de Atendimento ao Usuário em Araraquara (SP), o que permite controlar a qualidade do combustível.
Por enquanto, os resultados são promissores, mas o projeto ainda está em andamento. A ideia é que, ao final, os dados ajudem a mostrar se o B100 pode sair do teste e virar opção de fato para frotas no Brasil.
Fonte: Exame