Açúcar sustenta alta em NY com fundos, clima e oferta global apertada

O mercado futuro de açúcar encerrou mais uma semana de valorização em Nova York, sustentado pela forte entrada dos fundos, riscos climáticos e preocupação crescente com a disponibilidade global do adoçante.

O contrato outubro/26 fechou a 18,02 cents por libra-peso, avanço de 46 pontos na semana, depois de atingir a maior cotação dos últimos 16 meses. O março/27 subiu 42 pontos e terminou próximo de 19 cents/lb.

A valorização alcançou toda a curva futura. Os vencimentos ligados à safra 2027/28 do Centro-Sul avançaram, em média, entre 28 e 30 pontos, enquanto os contratos relacionados a 2028/29 ganharam aproximadamente 48 pontos.

Fundos ampliam apostas na alta

Os fundos de investimento reforçaram significativamente suas posições compradas. Dados do CFTC referentes a 1º de setembro mostram acréscimo de 28,5 mil contratos, elevando a posição para 132.496 lotes, equivalentes a aproximadamente 6,7 milhões de toneladas de açúcar.

O comportamento chama atenção porque movimentos recentes de realização de lucros vêm sendo seguidos por novas altas, mantendo a trajetória positiva do mercado.

Além do fluxo financeiro em direção às commodities diante das preocupações inflacionárias, o clima permanece como importante fator de sustentação. O El Niño aumenta as incertezas sobre Tailândia e Europa, enquanto França, União Europeia e Reino Unido enfrentam perspectivas de menor produção.

Brasil tem menos açúcar e mais etanol

No Centro-Sul brasileiro, as chuvas previstas para setembro podem dificultar o avanço da colheita. Algumas estimativas já apontam para cerca de 37 milhões de toneladas de cana bisada, que poderiam ficar para processamento no próximo ciclo.

Os dados recentes também mostram mudança importante no mix. Na primeira quinzena de agosto, a moagem cresceu 2%, mas a produção de açúcar caiu 7,9%, para 3,31 milhões de toneladas, enquanto a fabricação de etanol avançou 6%.

No acumulado da safra, a produção de açúcar apresenta queda de 11,7%, enquanto o etanol cresce 14,7%. Os estoques do biocombustível estão quase 23% acima dos níveis registrados no mesmo período do ano passado.

Índia aumenta incerteza sobre oferta mundial

A Índia continua no centro das atenções. Após forte valorização dos preços domésticos, o governo autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de imposto, além de adotar limites de estoques e maior controle sobre a comercialização interna.

As medidas ajudaram a reduzir os preços domésticos, mas reforçaram uma mudança importante para o mercado internacional: a Índia deixa de atuar como potencial grande exportadora e pode aumentar suas compras externas, dependendo do desempenho das monções e da próxima safra.

Com fundos mais comprados, riscos climáticos e menor disponibilidade de açúcar em importantes regiões produtoras, o mercado permanece construtivo e sujeito a novos episódios de volatilidade, especialmente se a oferta global continuar se deteriorando.

Fonte: Jornal da Cana – Veja na íntegra aqui