Os preços internacionais do açúcar fecharam em forte queda nesta quinta-feira (3), pressionados pela perspectiva de que a Índia possa importar menos açúcar do que o mercado esperava e por um movimento de realização após as recentes altas.
Em Nova York, o contrato outubro recuou 63 pontos, para 18,07 cents por libra-peso. Em Londres, o mesmo vencimento caiu 126 pontos, encerrando a sessão a US$ 526,60 por tonelada.
A pressão veio principalmente da Índia. O governo reduziu de 400 para 200 toneladas o limite de estoques de açúcar mantidos por revendedores, medida válida entre 15 de setembro e 20 de novembro. A intenção é aumentar a disponibilidade doméstica e conter movimentos especulativos.
Com maior oferta interna, cresce a percepção de que o país poderá utilizar menos da cota de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto cuja importação, sem impostos, havia sido autorizada em agosto.
Déficit global limita pressão sobre preços
Apesar da correção, o balanço mundial continua oferecendo sustentação ao mercado. A Organização Internacional do Açúcar projeta déficit de 200 mil toneladas em 2026/27, depois de um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada atual.
Outras projeções também apontam para oferta apertada. A Green Pool estima déficit de 3,2 milhões de toneladas, enquanto a StoneX elevou sua previsão para 1,7 milhão. Covrig Analytics e Czarnikow também trabalham com saldos negativos para 2026/27.
O clima acrescenta incerteza. Na Índia, as chuvas das monções permaneciam 13% abaixo da média até 2 de setembro. Na Europa, seca e temperaturas elevadas podem reduzir a produção da União Europeia e do Reino Unido para 14,98 milhões de toneladas, menor nível em 11 anos.
Brasil e mix das usinas seguem no radar
No Brasil, o mercado acompanha tanto o desempenho da safra quanto a decisão das usinas sobre o mix entre açúcar e etanol. Uma maior destinação da cana ao biocombustível pode reduzir a disponibilidade de açúcar para exportação e apertar ainda mais o balanço internacional.
O posicionamento dos fundos também aumenta a volatilidade. Em Londres, as posições líquidas compradas em açúcar branco alcançaram 70.766 contratos, maior nível desde o início da série, em 2011. Uma reversão dessas posições pode intensificar movimentos de queda.
Assim, embora a perspectiva de menores importações indianas tenha provocado uma correção expressiva, o mercado continua sustentado por fundamentos de oferta mais restrita, riscos climáticos e expectativa de déficit global em 2026/27.
Fonte: Notícias Agrícolas – Veja na íntegra aqui