Açúcar recua em Nova Iorque e Londres com dólar na máxima em 18 meses

Os preços internacionais do açúcar encerraram esta quarta-feira (14) em queda, pressionados pela valorização do dólar, que atingiu o maior patamar em um ano e meio. O movimento estimulou a realização de lucros pelos fundos de investimento, após uma sequência de altas que levou a commodity às máximas de quase dois anos.

Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar bruto para março de 2027 recuou 27 pontos, encerrando a 20,88 centavos de dólar por libra-peso, queda de aproximadamente 1,28%. Em Londres, o açúcar branco para dezembro caiu US$ 7 por tonelada, fechando a US$ 554,90.

A valorização da moeda norte-americana reduz a atratividade das commodities negociadas em dólar para compradores internacionais. Com isso, investidores aproveitaram os ganhos recentes para reduzir suas posições no mercado futuro.

O posicionamento dos fundos é um dos principais fatores de atenção. Segundo o relatório Commitment of Traders, os investidores aumentaram suas posições compradas em 60.442 contratos na semana encerrada em 6 de outubro.

A posição líquida comprada alcançou 212.559 contratos, maior volume em mais de três anos. Embora esse movimento tenha contribuído para sustentar a valorização recente, a concentração de posições compradas também pode intensificar as quedas quando os investidores decidem realizar lucros. Na semana passada, o açúcar bruto atingiu a maior cotação em 19 meses em Nova Iorque, enquanto o açúcar branco alcançou o maior nível em 22 meses em Londres.

Déficit global e El Niño continuam sustentando expectativas

Apesar da correção, os fundamentos de oferta permanecem no radar. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit mundial de 200 mil toneladas na safra 2026/27, com produção estimada em 180,1 milhões de toneladas, queda de 1% em relação ao ciclo anterior.

Outras consultorias apresentam projeções de um mercado ainda mais ajustado. A StoneX estima déficit de 1,7 milhão de toneladas, enquanto a Covrig Analytics prevê saldo negativo de 300 mil toneladas. As preocupações climáticas também persistem. A possibilidade de um El Niño de forte intensidade amplia os riscos para a produção de açúcar no Brasil, na Índia e na Tailândia.

Na Tailândia, a produção poderá recuar 17% em 2026/27, para aproximadamente 10 milhões de toneladas. Na Índia, as chuvas de monções ficaram 12,6% abaixo da média, aumentando as incertezas sobre a disponibilidade doméstica.

No Brasil, as chuvas persistentes no Centro-Sul continuam dificultando a colheita e a moagem da cana-de-açúcar. Segundo a Unica, a produção regional de açúcar caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

Para o setor sucroenergético, o mercado apresenta forças em direções opostas: de um lado, o dólar valorizado e a realização de lucros pressionam as cotações; de outro, os riscos climáticos e as projeções de déficit global oferecem suporte aos preços.

A evolução do câmbio, das posições dos fundos e das condições meteorológicas nas principais regiões produtoras será determinante para os próximos movimentos do açúcar nas bolsas internacionais.

Fonte: Notícias Agrícolas – Veja na íntegra aqui