Os preços do açúcar ampliaram as perdas na semana e atingiram novas mínimas nos mercados internacionais, refletindo um cenário mais confortável de oferta global e mudanças nas expectativas sobre o direcionamento da produção. O contrato do açúcar bruto (ICE nº11) para maio fechou a 13,94 cents/lb, com queda de 2,18%, enquanto o açúcar branco em Londres recuou 2,06%, atingindo os menores níveis em um mês e três semanas, respectivamente.
O principal fator de pressão veio da Índia. O governo sinalizou que não pretende restringir as exportações neste ano, afastando o risco de desvio de cana para a produção de etanol — cenário que vinha sustentando os preços em meio à alta do petróleo. Além disso, a produção indiana avançou 9% na safra 2025/26 até março, somando 27,12 milhões de toneladas, reforçando o viés baixista.
No Brasil, o aumento da oferta também contribui para esse movimento. Dados da UNICA mostram que a produção no Centro-Sul chegou a 40,25 milhões de toneladas (+0,7%), com destaque para o mix mais açucareiro: 50,61% da cana foi destinada ao açúcar, acima dos 48,08% da safra anterior, ampliando a disponibilidade global da commodity.
O recuo acontece após um período recente de alta, quando os preços chegaram a máximas de quase seis meses, impulsionados pela disparada do petróleo, que aumentou a competitividade do etanol e levantou expectativas de maior direcionamento para biocombustíveis.
Agora, com a oferta mais robusta e menor pressão sobre o mix global, o mercado passa por um ajuste, com viés de curto prazo mais pressionado para o açúcar — e um novo equilíbrio se desenhando na disputa entre açúcar e etanol na decisão das usinas.
Fonte: Revista RPA News – Veja matéria na íntegra aqui