Açúcar perde força e ignora petróleo: oferta global dita o mercado

Os preços do açúcar seguem pressionados no mercado internacional e caminham para uma queda semanal de cerca de 7%, atingindo a mínima de um mês na ICE. O contrato maio fechou a 13,75 cents/lb, refletindo um mercado cada vez mais focado nos fundamentos de oferta — e menos sensível, neste momento, aos fatores externos como petróleo e tensões geopolíticas.

Apesar de a alta do petróleo normalmente favorecer o etanol e, consequentemente, reduzir a oferta de açúcar, esse efeito perdeu força na semana. A queda recente do petróleo, em meio a negociações de cessar-fogo envolvendo o Irã, ajudou a aliviar essa pressão e reforçou o viés baixista.

Segundo a StoneX, o mercado está concentrado no seu próprio equilíbrio entre oferta e demanda. Um dos sinais dessa fraqueza é a redução do prêmio de exportação em Santos, que não acompanhou a recente recuperação dos preços futuros — indicando menor apetite no mercado físico.

Do lado da oferta, o cenário segue confortável. A China elevou sua estimativa de produção para 12,5 milhões de toneladas na safra 2025/26, adicionando ainda mais volume ao mercado global e reforçando a pressão sobre as cotações.

No curto prazo, o açúcar perde tração. Mas, no horizonte, o clima pode voltar ao radar. A possibilidade de formação de El Niño a partir de meados de 2026 — com 61% de chance — pode alterar o equilíbrio produtivo global e trazer novas incertezas para o mercado.