Açúcar e etanol não deverão ser afetados por tarifaço de Trump

Exportação de açúcar brasileiro – Foto: Ascom Porto de Maceió

Por Fábio Rübenich

Em entrevista exclusiva para a Safras News nos bastidores do Cana Summit, evento que está sendo realizado em Brasília nesta semana, o diretor-executivo da Organização Internacional do Açúcar (ISO/OIA), Jose Orive, comentou que o mercado mundial de açúcar enfrenta seu maior déficit de oferta dos últimos dez anos e que a guerra tarifária deflagrada pela nova administração do governo dos Estados Unidos não deverá afetar os mercados de açúcar e etanol, pois esses são protegidos por tratados comerciais que “dificilmente são violados”.

Orive comentou também sobre os preconceitos que o açúcar ainda sofre mesmo sendo uma das principais fontes de energia para o ser humano e relacionou esta questão com a ‘febre dos carros’ elétricos, que não são ambientalmente corretos, ainda mais em comparação com a energia limpa representada pelos biocombustíveis, em particular o etanol.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Como a guerra tarifária pode impactar os mercados de açúcar e etanol?

Acreditamos que essas medidas anunciadas pelo presidente Trump não vão afetar o açúcar por si só, ou o etanol. Temos tratados comerciais envolvendo o açúcar que dificilmente serão violados. Assim, não acreditamos que o mercado mundial de açúcar será impactado.

Se o açúcar é a nossa principal fonte de energia, por que ainda vemos tanta propaganda negativa sobre o adoçante?

Porque quem produz outras fontes de energia não gosta do setor… Eu moro em Londres, na Europa. Lá o carro elétrico é muito popular. Mas ninguém se pergunta de onde vem a bateria do carro elétrico… O carro elétrico não é ambientalmente correto.

Então acredito que nós devemos melhorar as formas de comunicação sobre a contribuição dos biocombustíveis, em particular do etanol, para a descarbonização do setor de transportes.

O mercado global de açúcar terá déficit ou superávit de oferta em 2024-2025?

Déficit! Teremos um dos maiores gaps dos últimos dez anos, podendo chegar a até 5 mi t, devido principalmente à queda na produção da Índia, a um recuo um pouco menor na Tailândia, enquanto o Brasil vai estar mais ou menos no mesmo nível do ano passado, mas provavelmente com uma pequena queda na sua safra de açúcar.

A Índia vai ter superávit exportável neste ano ou não vai ter?

Não vai ter muita exportação de açúcar indiano, produzido internamente com a cana-de-açúcar local. A maior quantidade de exportação pela Índia será na verdade uma reexportação, através das refinarias portuárias, que importam açúcar bruto, o refinam e o reexportam. Não é, portanto, uma exportação verdadeira de açúcar de cana que teremos na Índia esse ano.

Fonte: Safras & Mercados