Açúcar despenca mais de 3% após atingir máxima em 19 meses

Os preços do açúcar encerraram esta quinta-feira (8) em forte queda nas bolsas de Nova Iorque e Londres, após duas semanas de valorização. O movimento foi impulsionado principalmente pela realização de lucros dos fundos de investimento, depois que os contratos atingiram máximas de 19 e 22 meses, respectivamente, na sessão anterior.

Em Nova Iorque, o contrato para março de 2027 recuou 3,26%, para 20,15 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro caiu 2,63%, encerrando a US$ 541,10 por tonelada. A valorização do dólar também contribuiu para pressionar as cotações.

Clima e menor oferta continuam sustentando o mercado

Apesar da correção, as preocupações com a disponibilidade global de açúcar permanecem. No Brasil, as chuvas persistentes no Centro-Sul atrasam a colheita e interrompem a moagem, aumentando as incertezas sobre a produção nesta safra.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas em 2026/27, após superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada anterior.

Na Tailândia, a produção poderá recuar 17%, para aproximadamente 10 milhões de toneladas. Já na Índia, as chuvas de monções ficaram 12,6% abaixo da média, elevando as preocupações com a oferta. O governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos até 31 de outubro.

As projeções também apontam um mercado mais ajustado nos próximos ciclos. A Covrig Analytics estima déficit de 300 mil toneladas em 2026/27, enquanto a Czarnikow prevê um saldo negativo de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28.

O risco de um El Niño intenso acrescenta incertezas às perspectivas de produção nos principais países produtores. Para o setor sucroenergético brasileiro, a valorização recente do açúcar favorece a remuneração do produto frente ao etanol. Entretanto, as chuvas e a redução do ritmo de moagem podem limitar a capacidade das usinas de aproveitar os preços mais elevados.

Assim, embora a realização de lucros tenha provocado uma correção expressiva, o comportamento do clima e as perspectivas de oferta global continuam sendo fatores decisivos para a direção das cotações nas próximas semanas.

Fonte: Notícias Agrícolas – Veja na íntegra aqui