
Os preços internacionais do açúcar aprofundaram a trajetória de queda iniciada há cinco meses e atingiram, na quinta-feira, o menor nível para o contrato mais próximo em mais de cinco anos, diz nota da “RPA News”. O movimento é impulsionado pela expectativa de manutenção de superávits globais na oferta da commodity nas próximas safras.
Os contratos do açúcar bruto com vencimento em março, negociados na ICE, atingiram 13,67 centavos de dólar por libra-peso no intradia, o menor nível desde outubro de 2020. Já os futuros do açúcar branco ou refinado, que expiram na sexta-feira, fecharam em queda de 2,9%, a US$ 376,10 por tonelada, também no menor patamar desde junho de 2020.
No fechamento do mercado, o açúcar bruto reduziu parcialmente as perdas e encerrou a sessão com recuo de 0,7%, a 13,75 centavos de dólar por libra-peso.
Segundo analistas da trading internacional Czarnikow, o mercado global deve registrar um superávit de 3,4 milhões de toneladas métricas (MMT) na safra 2026/27, após um excedente estimado em 8,3 MMT em 2025/26.
Na mesma linha, a consultoria Green Pool estima superávit global de 2,74 MMT em 2025/26 e de 156 mil toneladas em 2026/27. Já a StoneX projeta excedente de 2,9 MMT para 2025/26.
No Brasil, dados da UNICA mostram que a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul na safra 2025/26, até meados de janeiro, avançou 0,9% na comparação anual, alcançando 40,236 milhões de toneladas.
Além disso, a proporção de cana direcionada à fabricação de açúcar aumentou para 50,78%, ante 48,15% na safra 2024/25, sinalizando maior direcionamento das usinas ao adoçante.
Índia pode ampliar exportações e reforçar pressão
Na Índia, a India Sugar Mill Association (ISMA) informou que a produção de açúcar entre 1º de outubro e 15 de janeiro da safra 2025/26 cresceu 22% na comparação anual, totalizando 15,9 milhões de toneladas.
Em novembro, a entidade elevou sua estimativa para a produção indiana em 2025/26 para 31 MMT, ante projeção anterior de 30 MMT, o que representa alta de 18,8% frente ao ciclo anterior. Paralelamente, a ISMA reduziu a estimativa de açúcar destinado à produção de etanol para 3,4 MMT, abaixo dos 5 MMT projetados em julho — movimento que pode ampliar o volume disponível para exportação.
A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar.
Os preços também vêm sendo pressionados pela possibilidade de aumento das exportações indianas. Segundo o secretário de Alimentos da Índia, o governo pode autorizar embarques adicionais para reduzir o excedente doméstico.
Em novembro, o Ministério da Alimentação da Índia informou que permitiria a exportação de 1,5 MMT de açúcar na temporada 2025/26. O país adotou um sistema de cotas para exportação em 2022/23, após chuvas tardias reduzirem a produção e limitarem a oferta interna.
Com a perspectiva de superávits consecutivos e maior disponibilidade exportável, o mercado internacional segue sob forte pressão, mantendo o viés negativo nas cotações internacionais do açúcar.
Fonte: RPA News