A demanda brasileira por combustíveis líquidos deve crescer 2,5% em 2027, alcançando 155,8 bilhões de litros, ante os 152 bilhões estimados para 2026. A projeção foi divulgada nesta segunda-feira (19) pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e aponta o etanol hidratado como principal destaque em termos de crescimento percentual.
Segundo a estatal, o consumo de etanol hidratado deve avançar 5,9%, passando de 23,9 bilhões para 25,3 bilhões de litros. A expansão será favorecida pela maior oferta do biocombustível, impulsionada pela produção de etanol de milho e pela expectativa de maior direcionamento da cana-de-açúcar para a fabricação de etanol, diante da menor remuneração do açúcar no mercado internacional.
A EPE estima que o consumo de hidratado já alcance um recorde de 23,9 bilhões de litros em 2026, sustentado pela competitividade de preços em relação à gasolina. O consumo de óleo diesel deve passar de 72,4 bilhões para 74,2 bilhões de litros em 2027, crescimento de aproximadamente 2,5%. Já a demanda por gasolina C deve subir de 48 bilhões para 48,5 bilhões de litros, avanço de cerca de 1%.
No setor aéreo, a projeção é de consumo de 7,8 bilhões de litros de querosene de aviação (QAV), superando o recorde histórico de aproximadamente 7,5 bilhões de litros registrado em 2014. O crescimento acompanha a expansão da aviação comercial e o aumento da oferta de voos.
Entretanto, os custos continuam pressionados pela instabilidade no Oriente Médio. Em outubro, a Petrobras reajustou o QAV em 11,76%, acumulando alta aproximada de 74% desde março de 2026. As projeções da EPE ocorrem em meio às restrições globais de refino e aos impactos dos conflitos no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo e seus derivados.
Embora seja exportador de petróleo, o Brasil ainda depende da importação de parte dos combustíveis consumidos internamente, o que aumenta sua exposição às oscilações internacionais. Apesar desse cenário, a EPE avalia que a atividade econômica, o mercado de trabalho e a renda disponível deverão sustentar o crescimento da demanda em 2027.
Para o setor de biocombustíveis, as projeções reforçam a perspectiva de expansão do mercado brasileiro de etanol, enquanto o aumento do consumo de diesel também amplia a importância do biodiesel na matriz nacional de transportes.
Fonte: Poder 360 – Veja na íntegra aqui