A busca por maior autonomia energética no agronegócio brasileiro está ampliando o interesse pelo biodiesel como alternativa ao diesel fóssil. Em um cenário de volatilidade do petróleo, tensões geopolíticas e riscos de abastecimento durante as safras, o biocombustível ganha relevância estratégica para a operação de máquinas e equipamentos agrícolas.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas, Gilles-Laurent Grimberg, CEO da Actioil do Brasil e associado da Ubrabio, destacou que o biodiesel apresenta vantagens operacionais, como boa lubricidade e possibilidade de utilização na infraestrutura existente, mas exige cuidados específicos para preservar sua qualidade.
Segundo o especialista, a menor estabilidade oxidativa do biodiesel é uma característica química conhecida e controlável, por meio da seleção de matérias-primas, utilização de antioxidantes, monitoramento de contaminantes e boas práticas de armazenamento. A presença de água nos tanques é um dos principais pontos de atenção, pois favorece a proliferação de micro-organismos e a degradação do combustível. Entre as medidas preventivas estão a drenagem periódica, a limpeza dos reservatórios, a filtragem adequada e a rotatividade dos estoques.
Grimberg ressalta que o biodiesel dentro das especificações técnicas não deve ser associado automaticamente à corrosão ou ao desgaste prematuro dos motores. A utilização de misturas mais elevadas, entretanto, exige atenção à compatibilidade e à homologação dos equipamentos, especialmente nos sistemas modernos de injeção e pós-tratamento de emissões.
O executivo também destaca que diferentes matérias-primas permitem ajustar as características do biodiesel às condições climáticas regionais, equilibrando estabilidade oxidativa e desempenho em baixas temperaturas.
Para o agronegócio, o avanço do biodiesel representa uma oportunidade de transformar a própria produção agrícola em energia para movimentar o campo. A ampliação de seu uso, porém, dependerá da evolução tecnológica dos motores, do controle de qualidade e da adoção de práticas adequadas em toda a cadeia de distribuição e armazenamento.
Fonte: Notícias Agrícolas – Veja na íntegra aqui