Projeção aponta redução e amplia riscos de restrição na oferta de açúcar

A XP Investimentos revisou para baixo suas projeções para a safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil e avalia que o mercado internacional ainda não incorporou totalmente os riscos de redução da oferta brasileira de açúcar. Em relatório divulgado na quinta-feira (15), a instituição reduziu sua estimativa de moagem em 12,4 milhões de toneladas, para 613,5 milhões de toneladas, devido ao excesso de chuvas e às dificuldades operacionais nas usinas. A projeção de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) também caiu 2,3 quilos por tonelada, refletindo a menor qualidade da matéria-prima.

Com isso, a XP cortou em aproximadamente 1,5 milhão de toneladas sua estimativa de produção de açúcar. Segundo o banco, mesmo um direcionamento maior da cana para a fabricação de açúcar não será suficiente para compensar as perdas. Na avaliação dos analistas, uma produção brasileira inferior a 37 milhões de toneladas dificulta a sustentação de perspectivas de queda dos preços no médio prazo.

O contrato de açúcar para março de 2027 acumula valorização de aproximadamente 12% no último mês, impulsionado pelas restrições produtivas no Brasil e na Europa. A instituição considera que os riscos de oferta ainda podem sustentar as cotações internacionais.

No etanol, a instituição reduziu sua projeção de produção em cerca de 800 milhões de litros para 2026/27. Embora os estoques permaneçam confortáveis, a queda observada após ajustes sazonais indica demanda aquecida.

Para a safra 2027/28, o banco estima que aproximadamente 27 milhões de toneladas de cana não colhida sejam transferidas para o próximo ciclo, ampliando potencialmente a disponibilidade de matéria-prima. No curto prazo, entretanto, a combinação de menor moagem, queda do ATR e oferta global mais restrita mantém um cenário favorável à sustentação dos preços do açúcar, segundo a instituição financeira.

Fonte: Money Times – Veja na íntegra aqui