O avanço do El Niño e as chuvas persistentes no Centro-Sul do Brasil estão afetando a colheita e a moagem da cana-de-açúcar, restringindo a oferta e contribuindo para a valorização do açúcar e do etanol. Segundo o relatório Agro Mensal de outubro de 2026, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o clima permanece como um dos principais fatores de risco para o setor sucroenergético nos próximos meses.
Na primeira quinzena de setembro, a produção de açúcar do Centro-Sul somou 2,1 milhões de toneladas, menor volume para o período em sete anos. A moagem alcançou 30,2 milhões de toneladas de cana, próxima do mínimo histórico registrado em 2015, também sob influência de um episódio intenso de El Niño.
De acordo com o banco, usinas paulistas relataram perdas de oito a dez dias de moagem em razão das chuvas. Embora as precipitações favoreçam a recuperação da umidade do solo, elas reduzem as janelas disponíveis para as operações agrícolas e industriais.
O Itaú BBA reduziu sua projeção de produção de açúcar na União Europeia de 13 milhões para 12,6 milhões de toneladas, diante dos impactos da seca e das altas temperaturas sobre a produtividade da beterraba. Na Índia, os estoques encerraram setembro em 3,8 milhões de toneladas, menor patamar em mais de uma década. O banco projeta produção de 29 milhões de toneladas em 2026/27, enquanto o USDA revisou sua estimativa para 29,5 milhões de toneladas.
No mercado doméstico, as restrições à moagem e a demanda firme sustentam os preços do etanol. Na semana encerrada em 9 de outubro, o hidratado nas usinas paulistas atingiu R$ 2,64 por litro, retornando a patamares próximos aos observados no início da safra. A paridade média do etanol em relação à gasolina no estado de São Paulo ficou em 60,7%, mantendo o biocombustível competitivo para os consumidores de veículos flex.
Próxima safra dependerá do clima e das decisões das usinas
Para 2027/28, o Itaú BBA considera possível uma moagem de cana próxima do recorde de 654 milhões de toneladas registrado em 2023/24, embora ressalte que ainda existem incertezas sobre o volume de cana bisada, estimado entre 19 milhões e 50 milhões de toneladas. A definição do mix de produção entre açúcar e etanol também será determinante para a disponibilidade dos dois produtos.
A avaliação do Itaú BBA aponta um mercado sustentado por restrições de oferta no curto prazo, mas sensível à evolução das chuvas, à demanda por combustíveis e às mudanças tributárias. Para o setor sucroenergético, o desafio será conciliar a recuperação da moagem com as oportunidades de preços oferecidas pelos mercados de açúcar e etanol.
Fonte: RPA News – Veja na íntegra aqui