Crise em Ormuz ameaça safras e pode elevar preços dos alimentos em 2027

A interrupção do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz começa a afetar a produção agrícola mundial e aumenta o risco de novas altas nos preços dos alimentos. O alerta foi feito nesta quinta-feira (15) pelo presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), Álvaro Lario.

Segundo o dirigente, as restrições ao transporte de fertilizantes, combinadas ao aumento dos custos de combustíveis e fretes, pressionam toda a cadeia global de abastecimento alimentar. O cenário é agravado pelos riscos climáticos associados ao El Niño e pelas interrupções no fornecimento de trigo da região do Mar Negro.

Os estoques de fertilizantes e combustíveis ajudaram a amortecer os impactos iniciais das restrições logísticas. Entretanto, a persistência das incertezas já influencia as decisões dos produtores rurais. De acordo com Lario, agricultores estão reduzindo o uso de fertilizantes e adotando maior cautela no planejamento das lavouras. A combinação entre menor adubação e aumento dos custos operacionais pode comprometer a produtividade das próximas safras.

O encarecimento dos combustíveis também pressiona as despesas com mecanização agrícola, transporte e colheita, ampliando os custos de produção.

Commodities agrícolas já acumulam alta de 13%

Segundo o Fida, os preços das commodities agrícolas subiram 13% no terceiro trimestre de 2026, com possibilidade de novos aumentos no último trimestre deste ano e nos primeiros três meses de 2027. Os países mais dependentes da importação de fertilizantes, energia e alimentos estão entre os mais vulneráveis. O alerta é especialmente relevante para regiões da Ásia e da África, onde a elevação dos custos pode comprometer o acesso aos alimentos.

Uma autoridade ouvida pela Reuters também advertiu que a ausência de um acordo entre Estados Unidos e Irã nas próximas semanas, para permitir o transporte de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz, poderá ampliar os riscos à segurança alimentar.

Para o agronegócio brasileiro, o cenário internacional reforça a atenção sobre o abastecimento e os preços dos insumos agrícolas. O país depende fortemente de fertilizantes importados, o que aumenta sua exposição às interrupções logísticas e à volatilidade das matérias-primas.

Além dos custos, a incerteza sobre a disponibilidade dos produtos pode influenciar o calendário de compras e as estratégias de adubação dos produtores.

O principal risco apontado pelo Fida é que a crise deixe de afetar apenas os preços dos insumos e passe a comprometer a produção agrícola. Caso agricultores reduzam a adubação ou substituam culturas mais exigentes por alternativas de retorno mais rápido, os impactos poderão se estender à oferta mundial de alimentos em 2027.

Fonte: Portal Tela – Veja na íntegra aqui