Etanol de milho brasileiro supera rentabilidade dos EUA

A indústria brasileira de etanol de milho consolidou uma vantagem histórica de rentabilidade sobre os Estados Unidos, mas essa diferença começou a mudar em 2026. Estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que, entre janeiro de 2020 e junho de 2026, o retorno médio sobre o custo do milho foi de 72% no Brasil, ante 44,5% no mercado norte-americano.

A margem bruta média também favoreceu a indústria brasileira, alcançando 40,7%, contra 30,1% nos Estados Unidos. Entretanto, em junho deste ano, as usinas norte-americanas superaram as brasileiras pela primeira vez desde março de 2025, impulsionadas principalmente pela valorização do óleo de milho.

O Brasil começou o ano com margens elevadas, beneficiado pela oferta abundante de milho e pelos preços favoráveis do etanol. Em fevereiro, o retorno sobre o custo do grão atingiu 112%, com margem bruta de 53%.
A partir de então, a rentabilidade recuou gradualmente. Em junho, o retorno brasileiro caiu para 65%, enquanto a margem bruta ficou em 39%.

Nos Estados Unidos, ocorreu o movimento inverso. O retorno avançou de 46% em janeiro para 78% em junho, com margem bruta de 44%.

A principal diferença está no comportamento dos preços. Enquanto o etanol brasileiro acumulou queda de 28% no primeiro semestre, o óleo de milho norte-americano valorizou 55%, sustentado pela demanda da indústria de combustíveis renováveis.
O Cepea ressalta que a inversão observada em junho ainda não permite concluir que houve uma mudança estrutural na competitividade entre os dois países.

Outro diferencial está na composição das receitas das usinas. No Brasil, o etanol representou, em média, 68,1% do faturamento considerado no estudo, enquanto o DDG, utilizado principalmente na alimentação animal, respondeu por 25,9%, e o óleo de milho, por 6%.

Nos Estados Unidos, a participação do etanol foi maior, de 75%, enquanto o DDG representou 19,7% e o óleo, 5,4%.
Essa diversificação ajuda a explicar a competitividade brasileira, especialmente no Centro-Oeste, onde a disponibilidade de milho de segunda safra favorece o abastecimento das unidades industriais.

Produção brasileira avança e amplia demanda por milho

O crescimento da indústria nacional também chama atenção. Segundo a Unica, a produção brasileira de etanol de milho alcançou 10,17 bilhões de litros na safra 2025/26, respondendo por pouco mais de 27% de todo o etanol produzido no país. Para 2026/27, a Conab projeta 11,4 bilhões de litros. Já a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) estima que a produção poderá alcançar 16,63 bilhões de litros até 2033/34, ampliando a demanda doméstica pelo cereal.

O avanço é expressivo quando comparado ao mercado norte-americano, que destina entre 130 milhões e 141 milhões de toneladas de milho por ano à produção de etanol, com volumes relativamente estáveis há uma década. A análise do Cepea indica que a rentabilidade tem sido um dos principais motores da expansão do etanol de milho no Brasil. No entanto, a sustentabilidade dessa vantagem dependerá do comportamento dos preços do milho, do etanol e dos coprodutos.

O estudo considera a receita de etanol, DDG e óleo de milho, descontando apenas o custo do grão. Portanto, os indicadores não representam o lucro líquido das usinas, já que despesas com energia, processamento e outros custos operacionais não foram incluídas.

Para o setor de biocombustíveis, a evolução das margens nos próximos meses será decisiva para avaliar se a recente vantagem norte-americana representa uma mudança duradoura ou apenas um ajuste temporário no mercado.

Fonte: CEPEA – Veja na íntegra aqui