A dependência brasileira de fertilizantes importados custou ao país R$ 1,4 trilhão nos últimos 30 anos, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (13) pelo Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert). Os dados constam da Carta Aberta ao Brasil, documento em que a entidade alerta para a vulnerabilidade da agricultura nacional diante das oscilações do mercado internacional.
Segundo o sindicato, a dependência externa de fertilizantes passou de 55% para 90% nas últimas três décadas, acompanhando a expansão da produção agrícola.
O Brasil importa atualmente 97% do nitrogênio e do potássio utilizados na agricultura, além de 74% do fósforo, os três nutrientes essenciais que compõem a formulação NPK. A elevada participação das importações torna o abastecimento nacional sensível às tensões geopolíticas, às oscilações cambiais e aos custos internacionais de matérias-primas e transporte.
O Sinprifert destaca os impactos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado de fertilizantes. Segundo a entidade, as restrições logísticas no Estreito de Ormuz contribuíram para dobrar o preço do enxofre, insumo fundamental para a fabricação de fertilizantes fosfatados, provocando paralisações em unidades produtivas brasileiras.
Produção agrícola cresce, mas dependência externa também
O avanço do agronegócio brasileiro ajuda a dimensionar o desafio. Segundo os dados apresentados pelo sindicato, com base em informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de grãos passou de 123 milhões para 350 milhões de toneladas entre 2002 e 2025.
No mesmo período, a área plantada aumentou de 43,9 milhões para 81,7 milhões de hectares, enquanto as entregas de fertilizantes cresceram de 19 milhões para 49 milhões de toneladas, conforme dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA).
O crescimento da demanda por nutrientes, entretanto, não foi acompanhado por uma expansão equivalente da produção nacional de matérias-primas para fertilizantes.
O cenário reforça a importância de investimentos na indústria brasileira de fertilizantes, na diversificação de fornecedores e na segurança do abastecimento agrícola. Em um mercado marcado pela volatilidade internacional, reduzir vulnerabilidades externas tornou-se uma questão estratégica para a competitividade do agronegócio brasileiro.
Fonte: Agência Infra – Veja na íntegra aqui