Açúcar supera 21 centavos em Nova Iorque com fundos apostando na alta

Os preços internacionais do açúcar encerraram esta terça-feira (13) em alta, impulsionados pelas compras de fundos de investimento e pelas preocupações com a oferta global. Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato para março de 2027 avançou 1,25%, fechando a 21,11 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro subiu para US$ 561,90 por tonelada.

As cotações permanecem próximas das máximas registradas na semana anterior, quando o açúcar bruto atingiu o maior patamar em 19 meses e o açúcar branco alcançou o nível mais elevado em 22 meses.

O movimento de alta ganhou força com o aumento das posições compradas pelos fundos. Segundo o relatório Commitment of Traders, os investidores ampliaram suas posições compradas em 60.442 contratos na semana encerrada em 6 de outubro. Com isso, a posição líquida comprada alcançou 212.559 contratos, maior volume em mais de três anos, sinalizando maior exposição dos fundos à expectativa de valorização da commodity.

As perspectivas de menor disponibilidade mundial também sustentam os preços. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit de 200 mil toneladas em 2026/27, após superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada anterior. Na Tailândia, segundo maior exportador mundial, a produção poderá recuar 17%, para aproximadamente 10 milhões de toneladas. A Covrig Analytics também prevê déficit global de 300 mil toneladas em 2026/27, enquanto a Czarnikow estima um saldo negativo de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28.

Outro fator de atenção é a possibilidade de um El Niño de forte intensidade, capaz de alterar os regimes de chuva nas principais regiões produtoras. Na Índia, as precipitações durante a temporada de monções ficaram 12,6% abaixo da média, aumentando as preocupações com a produção e a disponibilidade doméstica de açúcar.

No Brasil, as chuvas persistentes no Centro-Sul continuam dificultando a colheita e interrompendo a moagem da cana-de-açúcar em algumas usinas. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) apontaram queda de 26,3% na produção regional de açúcar em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

Para o setor sucroenergético brasileiro, a valorização do açúcar aumenta sua atratividade em relação ao etanol, podendo influenciar as decisões sobre o mix de produção das usinas. Entretanto, a continuidade das chuvas pode limitar o processamento da cana e a disponibilidade do produto.

A combinação de maior participação dos fundos, riscos climáticos e expectativa de déficit global mantém o mercado atento à evolução da safra brasileira e às condições de produção na Ásia.

Fonte: Notícias Agrícolas – Veja na íntegra aqui