Entregas de fertilizantes caem 8,8% e pressionam planejamento da safra

O mercado brasileiro de fertilizantes registra desaceleração em 2026, ampliando os desafios para o planejamento das próximas safras. Segundo análise do consultor do agronegócio Antonio Prado G. B. Neto, com base em dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), as entregas somaram cerca de 23 milhões de toneladas entre janeiro e julho, queda de 8,8% em relação ao mesmo período de 2025, equivalente a aproximadamente 2,2 milhões de toneladas a menos.

A retração ganhou intensidade a partir de maio, quando as entregas recuaram 14,8% na comparação anual. Em junho, a queda chegou a 17,2% e, em julho, atingiu 22,3%, evidenciando a perda de ritmo na distribuição dos insumos às regiões produtoras.

Sul concentra maior retração nas entregas

O impacto foi desigual entre as regiões brasileiras. O Sul registrou a maior queda percentual, de 20,5%, representando redução de 1,24 milhão de toneladas. No Sudeste, o recuo foi de 14%, com 710 mil toneladas a menos, enquanto o Centro-Oeste apresentou retração de 5,1%. Em sentido contrário, Norte e Nordeste registraram crescimento conjunto de 5,6% nas entregas.

As importações também reforçam o cenário de cautela. Em setembro, o volume desembarcado caiu 27,9% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, a retração foi de 15,7%. Embora os dados de entregas disponíveis se limitem a julho, a redução das compras externas aumenta a atenção sobre a reposição dos estoques. A avaliação da disponibilidade de fertilizantes para os próximos meses dependerá também das cargas já contratadas e do ritmo de aquisição pelos produtores.
Eficiência na adubação ganha importância

Diante de custos elevados e recursos financeiros mais restritos, o planejamento nutricional das lavouras torna-se ainda mais relevante. Segundo Prado, a análise de solo, a correção da acidez e o uso eficiente dos fertilizantes são fundamentais para preservar a produtividade.

“Para o produtor, o desafio é preservar o potencial da lavoura com recursos mais limitados. Planejamento, análise de solo e correção da acidez ganham ainda mais importância para aproveitar melhor cada quilo de fertilizante aplicado”, afirma o consultor.

O principal desafio para a safra 2026/27 será conciliar a necessidade de nutrição das culturas com a disponibilidade dos insumos e a capacidade de investimento dos produtores, evitando que a redução das compras comprometa o desempenho das lavouras.

Fonte: Agrolink – Veja na íntegra aqui