O avanço do etanol de milho está mudando a dinâmica das usinas sucroenergéticas brasileiras. Empresas começam a incorporar plantas dedicadas ao cereal aos complexos de cana, permitindo manter a produção justamente nos meses em que a moagem tradicional diminui.
A estratégia aproveita uma diferença fundamental entre as matérias-primas. Enquanto a cana precisa ser processada rapidamente após a colheita, o milho pode ser armazenado e utilizado ao longo do ano, ajudando a reduzir a ociosidade industrial entre dezembro e março.
A integração também permite compartilhar laboratórios, armazenagem, equipes e estruturas administrativas. Além disso, o bagaço da cana pode fornecer energia e vapor para a unidade de etanol de milho, aumentando as sinergias entre as duas operações.
O modelo também pode diminuir o capital necessário para expansão. Segundo Alessandro Salvador, sócio-fundador e diretor comercial da Aplus, enquanto uma unidade construída do zero demandou cerca de R$ 1,4 bilhão, a posterior instalação de uma planta de milho no mesmo complexo exigiu aproximadamente R$ 900 milhões, beneficiada pelo aproveitamento da infraestrutura existente. A empresa trabalha atualmente em projetos integrados para Aroeira e Atvos, além de negociar outros cinco empreendimentos no Sudeste.
A expansão acompanha o forte crescimento da produção brasileira. O etanol de milho saltou de apenas 80 milhões de litros na safra 2014/15 para 10,17 bilhões de litros em 2025/26, quando respondeu por pouco mais de 27% dos 37,5 bilhões de litros de etanol produzidos no país.
Para 2026/27, a expectativa é alcançar cerca de 12 bilhões de litros, com possibilidade de chegar a aproximadamente 20 bilhões em 2032.
Além de aumentar a utilização das usinas, a produção contínua de etanol de milho reduz a diferença de oferta entre safra e entressafra da cana, podendo diminuir a volatilidade dos preços. A maior disponibilidade do biocombustível também ajudou a criar condições para a adoção do E32, ao mesmo tempo em que estabelece uma nova fonte estrutural de demanda para o milho brasileiro.
Fonte: CPG – Veja na íntegra aqui