Açúcar dispara e encosta em 20 cents com clima acendendo alerta global

Os preços internacionais do açúcar encerraram a sexta-feira (2) em forte alta, com o mercado aumentando o prêmio de risco diante das incertezas climáticas nas principais regiões produtoras do mundo.

Em Nova York, o contrato de março do açúcar bruto avançou 99 pontos e fechou a 19,93 cents por libra-peso, muito próximo da marca de 20 cents e no maior patamar em cerca de 18 meses. Em Londres, o açúcar branco para dezembro subiu 242 pontos, alcançando US$ 531,50 por tonelada.

Chuva no Brasil impulsiona os preços

No Centro-Sul brasileiro, as previsões de novas chuvas aumentaram as preocupações com o ritmo da colheita e da moagem. O excesso de precipitação pode interromper as operações no campo e reduzir a disponibilidade de açúcar no curto prazo.

O movimento ocorre em uma safra na qual a produção brasileira já vem mostrando dificuldades. Dados divulgados pela Unica indicaram queda de 26,3% na fabricação de açúcar no Centro-Sul em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

Como o Brasil ocupa posição central na oferta mundial, qualquer dificuldade para colher cana ou elevar o mix açucareiro ganha rapidamente repercussão nas bolsas internacionais.

Índia e Tailândia reforçam preocupação com oferta

Os riscos não estão concentrados no Brasil. Na Índia, as chuvas de monção entre junho e setembro ficaram 12,6% abaixo da média, no menor nível em 11 anos. O país chegou a autorizar a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos até 31 de outubro. Na Tailândia, outro importante exportador, a expectativa é de queda de 17% na produção em 2026/27, para aproximadamente 10 milhões de toneladas.

O El Niño adiciona incerteza ao cenário, diante do potencial de alterar o regime de chuvas justamente em Brasil, Índia e Tailândia.

Mercado começa a precificar um balanço mais apertado

As projeções para 2026/27 reforçam essa percepção. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima déficit mundial de 200 mil toneladas, enquanto a Covrig Analytics calcula saldo negativo de 300 mil toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow projeta um déficit mais expressivo, de 2,9 milhões de toneladas, com menor produção global e possibilidade de maior direcionamento da cana brasileira para o etanol.

No curto prazo, porém, ainda existe um contraponto importante: a ISO projeta produção mundial recorde de 182 milhões de toneladas e superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26. Assim, o mercado entra em outubro dividido entre uma oferta ainda confortável no presente e riscos crescentes para as próximas safras. Por enquanto, o clima vem falando mais alto — e levou o açúcar novamente para perto da marca de 20 cents por libra-peso.

Fonte: Notícias Agrícolas – Veja na íntegra aqui