A indústria brasileira de etanol avança em capacidade produtiva, eficiência e diversificação de matérias-primas, mas enfrenta um desafio decisivo: transformar a maior oferta do biocombustível em consumo.
Segundo estimativa apresentada por João Rosa, sócio-diretor do Pecege Consultoria e Projetos, durante a 9ª Conferência Nova Cana, apenas um terço dos motoristas de veículos flex abastece com etanol. Isso significa que existe uma parcela relevante da frota que já poderia consumir o biocombustível, mas continua escolhendo a gasolina.
A decisão passa principalmente pela competitividade na bomba. Preço, autonomia, custo por quilômetro rodado e conveniência pesam na escolha do motorista, além de hábitos e percepções sobre o combustível.
Produção cresce e pressiona busca por demanda
Enquanto o setor tenta conquistar o consumidor nos postos, a capacidade de produção continua avançando. A integração entre cana-de-açúcar e milho amplia as possibilidades das usinas, enquanto coprodutos podem aproximar a indústria de etanol da pecuária e resíduos ganham valor com a produção de biogás e biometano.
O desafio, portanto, deixa de ser apenas produzir mais. É necessário encontrar mercados capazes de absorver essa oferta e gerar receita, margem e retorno aos investimentos realizados pelo setor.
Entre as alternativas debatidas estão veículos movidos exclusivamente a etanol, maior participação do biocombustível na gasolina e novos usos fora da frota leve.
A discussão ganha importância à medida que o setor amplia sua capacidade industrial. Sem crescimento correspondente da demanda, uma oferta maior pode pressionar preços e margens. Por outro lado, a abertura de novos mercados pode transformar a expansão produtiva em uma nova etapa de crescimento para o etanol brasileiro.
Fonte: Money Times – Veja na íntegra aqui