As importações brasileiras de fertilizantes recuaram em 2026, em meio a um cenário de tensões geopolíticas, custos logísticos elevados e maior dificuldade de acesso ao crédito. Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país importou 25,38 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, ante 29,43 milhões de toneladas no mesmo período de 2025 — queda de aproximadamente 13,8%.
O movimento reflete uma postura mais cautelosa dos compradores diante das incertezas no mercado internacional. As tensões no Oriente Médio, combinadas à alta do petróleo e aos riscos envolvendo importantes rotas comerciais, aumentaram as preocupações com fretes, disponibilidade e segurança no abastecimento de fertilizantes.
Crédito e geopolítica seguram as compras
Além dos fatores externos, as dificuldades de crédito no mercado doméstico contribuíram para o adiamento de aquisições. Nesse ambiente, compradores passaram a dar maior atenção aos fertilizantes produzidos no Brasil e a fornecedores alternativos, buscando reduzir a exposição às oscilações internacionais.
A retração também aparece nos volumes movimentados por importantes portas de entrada dos insumos. Nos Portos do Arco Norte, as importações recuaram de 8,61 milhões para 7,25 milhões de toneladas. Em Paranaguá, a queda foi ainda mais expressiva, de 7,54 milhões para 5,65 milhões de toneladas.
Santos seguiu na direção contrária: o porto recebeu 5,82 milhões de toneladas até agosto, acima das 4,85 milhões registradas no mesmo intervalo de 2025.
Menor importação aumenta atenção sobre abastecimento
A redução dos volumes ocorre em um momento em que o mercado brasileiro precisa conciliar as necessidades da produção agrícola com um ambiente internacional mais instável. Embora a queda das importações não signifique, isoladamente, falta de produto, os números reforçam a necessidade de acompanhar estoques, ritmo das compras, logística portuária e disponibilidade de crédito nos próximos meses.
Para o mercado, a combinação de menor internalização dos fertilizantes e incertezas externas tende a manter a estratégia de compra e a diversificação das origens dos insumos no centro das decisões do produtor brasileiro.
Fonte: Agrolink – Veja na íntegra aqui