Açúcar dispara e atinge maior preço em 18 meses com temor sobre oferta global

Os contratos futuros do açúcar bruto atingiram nesta quinta-feira (1º) o maior nível em 18 meses na bolsa ICE, sustentados pelas preocupações com a produção mundial na safra 2026/27. O primeiro contrato avançou 1,8%, fechando a 18,94 cents por libra-peso, depois de alcançar 19,05 cents durante a sessão.

O movimento reflete principalmente as perspectivas de menor produção em importantes regiões produtoras, como Índia, Tailândia e União Europeia, aumentando a percepção de que o balanço global poderá ficar mais apertado ao longo da temporada.

Chuvas derrubam produção brasileira de açúcar

O Brasil também reforça as preocupações com a oferta. Na primeira quinzena de setembro, a produção brasileira de açúcar caiu 41,6%, com as chuvas prejudicando a colheita e as operações no campo.

A condição climática ganha relevância porque o Brasil ocupa posição central no abastecimento mundial. Uma menor disponibilidade brasileira, combinada às dificuldades esperadas em outros grandes produtores, aumenta a sensibilidade das cotações a novas revisões de safra.

Oferta elevada no curto prazo limita alta

Apesar da perspectiva mais apertada para 2026/27, o mercado ainda encontra oferta abundante no curto prazo. O vencimento de outubro registrou entrega de 1,45 milhão de toneladas, a maior observada em 2026. A BTG Pactual Commodities foi a principal fornecedora, enquanto a Wilmar apareceu como única receptora, segundo operadores.

O elevado volume funciona como contraponto à pressão altista e indica que, embora existam preocupações com a produção futura, não há escassez imediata de açúcar no mercado físico. Parte desse produto poderá seguir para a Indonésia, onde a produção de cana recuou significativamente neste ano em meio aos efeitos do El Niño.

Em Londres, o açúcar branco também terminou em alta, com avanço de 0,2%, para US$ 507,30 por tonelada. O mercado passa, portanto, a equilibrar dois vetores: oferta confortável no presente e crescente preocupação com a disponibilidade de açúcar na safra 2026/27.

Fonte: Money Times – Veja na íntegra aqui