Açúcar perde força com petróleo em queda e dúvidas sobre demanda

O mercado internacional de açúcar começou a semana sem direção única. Nesta segunda-feira (28), o açúcar bruto recuou em Nova Iorque, enquanto o branco registrou leve valorização em Londres, em uma sessão marcada pela reversão do petróleo, enfraquecimento do real e novas preocupações com a demanda física.
Em Nova Iorque, o contrato outubro caiu 4 pontos, para 17,45 cents por libra-peso. Em Londres, o dezembro avançou para US$ 504,10 por tonelada.

Petróleo deixa de sustentar o açúcar

No início da sessão, a alta superior a 4% do petróleo WTI ofereceu suporte às cotações. Petróleo mais caro tende a melhorar a competitividade do etanol e pode incentivar maior direcionamento de matéria-prima ao biocombustível, reduzindo a disponibilidade para açúcar.

O movimento, porém, perdeu força ao longo do pregão. Com a reversão do petróleo, parte desse suporte desapareceu e houve liquidação de posições compradas. O real mais fraco, no menor nível em um mês, também pressionou Nova Iorque ao tornar as exportações brasileiras mais atrativas.

Demanda física acende alerta

A maior pressão vem dos sinais de demanda mais fraca. Segundo a McDougall Global Views, os contratos em aberto no vencimento outubro em Nova Iorque indicam uma possível entrega de aproximadamente 1,8 milhão de toneladas, acima da média dos últimos seis anos.

O mercado já vinha atento à entrega de 499,35 mil toneladas no vencimento outubro em Londres, volume 91% superior ao registrado um ano antes. Esse quadro reforça uma questão central para as próximas sessões: mesmo diante de riscos para a oferta, haverá demanda suficiente para sustentar uma nova valorização?

Déficit global diminui, mas não desaparece

Outro fator baixista foi a revisão da StoneX, que reduziu sua estimativa de déficit mundial em 2026/27 de 1,7 milhão para 900 mil toneladas. Ainda assim, diferentes projeções continuam apontando para oferta global apertada. A ISO estima déficit de 200 mil toneladas e a Covrig Analytics, de 300 mil toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow projeta saldo negativo de 2,9 milhões de toneladas.

Tailândia e Índia seguem entre os principais riscos. A produção tailandesa poderá cair 17%, para 10 milhões de toneladas, enquanto as chuvas de monção na Índia permanecem abaixo da média.

Brasil coloca forças opostas no mercado

No Brasil, a produção menor no Centro-Sul continua oferecendo sustentação às cotações internacionais. Em sentido contrário, a desvalorização do real favorece as exportações e pode aumentar a disponibilidade brasileira no mercado mundial.

Com isso, o açúcar entra nas próximas sessões dividido entre fundamentos de oferta ainda apertados e sinais de demanda física mais fraca. Para o setor sucroenergético, petróleo e câmbio também permanecem decisivos, já que influenciam tanto a competitividade do etanol quanto as decisões de comercialização do açúcar.

Fonte: Notícias Agrícolas – Veja a matéria na íntegra aqui