O Brasil conseguiu afastar, no curto prazo, o risco de desabastecimento de fertilizantes para a safra, segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. O cenário, porém, ainda exige atenção: mais da metade da produção nacional estaria paralisada, aumentando a necessidade de importações e de medidas para garantir que os insumos cheguem ao produtor dentro da janela de plantio.
A estratégia do governo está concentrada em três frentes: agilizar o desembarque de fertilizantes nos portos, recuperar a produção doméstica e ampliar acordos internacionais de fornecimento.
Portos viram prioridade para garantir adubo no campo
Um dos principais gargalos está na logística. O governo busca reduzir o tempo de desembarque dos navios diante do acúmulo de cargas nos portos justamente no período de maior demanda agrícola. O objetivo é evitar que fertilizantes já disponíveis no país fiquem represados e comprometam o calendário de aplicação nas lavouras.
Marrocos reforça oferta de fosfatados
No mercado internacional, o governo aposta no acordo firmado com o Marrocos para reforçar a segurança de abastecimento. O compromisso prevê o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados para a safra 2026/27.
A iniciativa ganha relevância diante da elevada dependência externa brasileira e das dificuldades enfrentadas pela indústria doméstica de fertilizantes.
Produção nacional entra na estratégia de longo prazo
Outra frente é a retomada de fábricas de fertilizantes. Segundo o ministro, três unidades voltaram a operar desde 2023, enquanto a UFN-III, em Três Lagoas (MS), tem início de funcionamento previsto para 2027. A expectativa apresentada pelo governo é de que o avanço da produção doméstica ajude a diminuir gradualmente a exposição brasileira ao mercado internacional.
El Niño adiciona risco à safra
Além dos fertilizantes, o clima entrou no radar. A possibilidade de um El Niño de forte intensidade aumenta a preocupação com a distribuição das chuvas e seus impactos sobre o calendário agrícola. O governo organizou uma força-tarefa envolvendo 24 ministérios e prevê R$ 1,3 bilhão para ações relacionadas à agricultura, saúde e defesa civil. A estrutura de monitoramento meteorológico também está sendo ampliada.
Para o produtor, portanto, o cenário combina duas variáveis importantes: o governo considera o abastecimento de fertilizantes assegurado, mas logística, dependência das importações, recuperação da indústria nacional e clima continuam como pontos de atenção para a safra 2026/27.
Fonte: Compre Rural – Veja na íntegra aqui