O cenário para o açúcar brasileiro ficou mais ajustado. A Hedgepoint Global reduziu sua projeção de produção no Centro-Sul em 1,4 milhão de toneladas, para 38,5 milhões de toneladas, diante de resultados mais fracos que o esperado e de uma safra que continua favorecendo a produção de etanol.
Mesmo mantendo a estimativa de moagem em 635,5 milhões de toneladas de cana, a consultoria agora trabalha com mix açucareiro próximo de 46,8% e ATR de, no máximo, 135,6 kg por tonelada na safra. A combinação limita a recuperação da produção de açúcar e reduz o volume disponível para exportação.
Etanol ganha espaço no mix
Os números ajudam a explicar a revisão. Segundo dados da UNICA até a segunda quinzena de junho, a moagem acumulada cresceu 3,8%, para 214,5 milhões de toneladas, mas a produção de açúcar recuou 12,4%, para 10,75 milhões de toneladas.
No sentido oposto, a fabricação de etanol avançou 20,4%, alcançando 11,37 bilhões de litros. A participação do biocombustível no mix aumentou de 49% para 57,5%, enquanto a parcela destinada ao açúcar caiu de 51% para 42,5%.
Dados mais recentes do MAPA também mostram dificuldades para ampliar a produção açucareira. Na primeira quinzena de agosto, a moagem alcançou 48,4 milhões de toneladas, enquanto o ATR ficou em 140,3 kg/t, ainda bem abaixo da média de cinco anos de 149,5 kg/t para o período.
Menos açúcar aumenta suporte aos preços
Com a revisão brasileira e perspectivas mais adversas para Índia e União Europeia, a Hedgepoint avalia que o aperto de oferta no curto prazo oferece sustentação para o açúcar permanecer acima de 18 cents/lb.
A mudança é significativa: entre o segundo trimestre de 2026 e o terceiro trimestre de 2027, o excedente estimado passou de mais de 1 milhão de toneladas para apenas 175 mil toneladas, aproximando o mercado global do equilíbrio e aumentando a possibilidade de volatilidade.
Apesar do suporte dos fundamentos, a consultoria alerta para a demanda física ainda enfraquecida e para a possibilidade de maior disponibilidade de cana e de um mix mais açucareiro no Centro-Sul na safra 2027/28. No curto prazo, porém, o avanço do etanol sobre o açúcar tornou a oferta brasileira mais apertada do que o mercado projetava.
Fonte: Jornal da Cana – Veja na íntegra aqui