O etanol voltou a apresentar vantagem econômica sobre a gasolina em grande parte do Brasil, mas a resposta dos motoristas de veículos flex ainda está aquém do potencial. Segundo a Datagro, 29,2% da frota flex abasteceu com etanol em julho, acima dos 22% de 2023, porém distante dos 37,8% registrados em julho de 2019.
De acordo com Plínio Nastari, CEO da Datagro, o etanol hidratado já é economicamente mais vantajoso em 67% das regiões que concentram o consumo nacional. Em São Paulo, a relação entre os preços chegou a apenas 58,4% em julho, segundo a ANP — bem abaixo da referência de 70% tradicionalmente utilizada para indicar competitividade frente à gasolina.
Para Nastari, a reação mais lenta está relacionada à inércia do consumidor, à falta de informação e à percepção equivocada sobre a qualidade do combustível. Essa resistência ganha peso em um momento de forte expansão da oferta.
A Conab projeta que a produção brasileira de etanol alcance cerca de 42 bilhões de litros na próxima safra, crescimento de 11,7%, com mais de 4 bilhões de litros adicionais, impulsionados tanto pela cana-de-açúcar quanto pelo milho.
Com maior produção e menor espaço para exportações, a retomada do consumo doméstico torna-se estratégica para equilibrar o mercado e reduzir a pressão sobre os estoques. Segundo Nastari, se a participação do etanol na frota flex retornasse ao nível de 2019, o mercado brasileiro poderia absorver aproximadamente 8 bilhões de litros adicionais.
No Nordeste, o início da safra 2026/27 também deverá ampliar a disponibilidade regional. Para Renato Cunha, presidente-executivo da NovaBio e do Sindaçúcar-PE, além da competitividade, o etanol oferece benefícios ambientais e de saúde pública.
O desafio para o setor, portanto, é transformar a atual vantagem de preço nas bombas em efetivo crescimento da demanda, justamente quando a produção brasileira caminha para novos recordes.
Fonte: Notícias do Planalto – Veja na íntegra aqui