Alta do açúcar pode levar usinas a ampliar produção no Centro-Sul

A forte recuperação das cotações internacionais do açúcar está mudando novamente a estratégia das usinas do Centro-Sul. A Czarnikow avalia revisar para cima sua estimativa de produção na safra 2026/27, atualmente em 38,5 milhões de toneladas, para uma faixa entre 39 milhões e 39,5 milhões de toneladas.

Segundo Pedro Mizutani, diretor associado da consultoria, o açúcar valorizou cerca de 300 pontos em apenas 15 dias, aumentando sua rentabilidade em relação ao etanol. Com isso, algumas usinas ainda têm espaço para direcionar uma parcela maior da cana para o adoçante nesta reta da temporada.

O movimento deve ser mais perceptível em unidades de Mato Grosso do Sul, Goiás e outras regiões de fronteira agrícola, onde há possibilidade de ajustes no mix. A expectativa é que os próximos dados quinzenais já indiquem maior participação do açúcar na moagem.

Índia e El Niño adicionam volatilidade

A valorização ganhou impulso com a perspectiva de importações de açúcar pela Índia, que reacendeu as preocupações com a disponibilidade global da commodity. Uma eventual entrada mais forte do segundo maior produtor mundial no mercado comprador pode alterar o equilíbrio internacional.

O clima adiciona outro fator de risco. Um possível El Niño pode aumentar as chuvas no Centro-Sul entre setembro e novembro, dificultando a colheita e a moagem na reta final da safra. Para o início de 2027, o risco passa a ser de menor disponibilidade hídrica durante o desenvolvimento da próxima cana.

O mercado passa, portanto, a acompanhar uma equação importante: preços mais altos estimulam maior produção brasileira de açúcar, enquanto demanda internacional e riscos climáticos podem limitar a oferta e sustentar novas valorizações.

Fonte: Portal do Agronegócio – Veja na íntegra aqui