O mercado internacional de açúcar ganhou força em agosto, com as cotações em Nova York superando 16 centavos de dólar por libra-peso. Segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA, a valorização reflete principalmente a perspectiva de oferta global mais apertada, embora a demanda física ainda recomende cautela.
Um dos principais fatores de sustentação foi a revisão do balanço mundial. O Itaú BBA ampliou sua estimativa de déficit para a safra 2026/27 de 700 mil para 1,4 milhão de toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow projeta déficit ainda maior, de 2,9 milhões de toneladas.
Clima e menor produção dão suporte às cotações
Na Europa, calor intenso e escassez de chuvas reduziram o potencial produtivo da beterraba açucareira. No Brasil, dados da UNICA e do Ministério da Agricultura também indicaram menor produção de açúcar no Centro-Sul, reforçando a percepção de oferta mais restrita.
Para a região, o Itaú BBA projeta moagem de 644,8 milhões de toneladas de cana em 2026/27, mix açucareiro de 46,4% e produção de 39,4 milhões de toneladas de açúcar. Até o fim de julho, apenas 44,2% da matéria-prima havia sido direcionada ao adoçante, ante 52% no mesmo período de 2025.
A qualidade da cana também merece atenção. A projeção de 138,3 kg de ATR por tonelada apresenta viés de baixa, fator que pode limitar o potencial de produção.
Demanda física ainda limita altas
Apesar dos fundamentos mais favoráveis aos preços, o mercado ainda encontra resistência na baixa procura internacional. Exportações brasileiras mais fracas, descontos no FOB Santos e menor movimentação no line-up indicam compradores cautelosos.
Na Índia, rumores sobre possíveis importações também ajudaram a movimentar as cotações, mas o Itaú BBA avalia que a operação ainda não apresenta viabilidade econômica.
Assim, o açúcar entra na segunda metade de agosto dividido entre dois vetores: de um lado, clima adverso e déficits globais dão sustentação às cotações; de outro, a demanda física enfraquecida pode limitar novas altas no curto prazo.
Fonte: Agrolink – Veja na íntegra aqui