Martinho Ono é destaque no The AgriBiz

Em entrevista realizada nesta semana ao repórter Rafael Gregório, do veículo de comunicação The Agribiz, o CEO da SCA Brasil, Martinho Ono fez uma análise sobre a competitividade do etanol frente o subsídio anunciado para a gasolina.

Segundo o executivo, a redução do preço da gasolina fez com que o Congresso deixasse de priorizar a votação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, que previa mecanismos para recompor a competitividade dos biocombustíveis, incluindo incentivos fiscais para produtores e comercializadores. Na avaliação do executivo, o setor deverá conviver com perdas até o encerramento da subvenção à gasolina, previsto para 31 de julho, sem qualquer compensação retroativa.

Competitividade do etanol perdeu espaço

Martinho Ono explica que, diante do subsídio de R$ 0,44 por litro concedido à gasolina, seria necessário um mecanismo equivalente de aproximadamente R$ 0,22 por litro para preservar a competitividade do etanol hidratado. Segundo ele, a própria carga tributária demonstra a assimetria entre os combustíveis.

“O imposto federal sobre o etanol hidratado é de R$ 192 por metro cúbico. O mínimo esperado era a isenção desse tributo para compensar parte do prejuízo que o setor vem acumulando”, afirma.

Para o executivo, além dos impactos econômicos, a medida contraria o próprio papel estratégico dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.

“O etanol gera mais empregos, reduz emissões e agrega valor à produção agrícola. Não faz sentido subsidiar a gasolina e deixar o combustível renovável perder competitividade.”

Outro ponto abordado em entrevista por Martinho Ono, é o novo adiamento da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), responsável por analisar o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32).

“Infelizmente estamos em compasso de espera há quase três meses. O aumento do E32 já possui respaldo técnico e representa um avanço importante para ampliar a demanda por etanol, reduzir a dependência da gasolina importada e fortalecer a segurança energética do país”, afirma.

Para Martinho Ono, a postergação da medida amplia a insegurança justamente em um momento de expansão dos investimentos em novas usinas, principalmente de etanol de milho.

“O setor continua investindo, mas precisa de previsibilidade regulatória. O E32 é uma medida estruturante para dar equilíbrio ao mercado e acompanhar o crescimento da oferta de etanol no Brasil”, conclui.

Fonte: The AgriBiz – Veja a matéria na íntegra aqui