Produção de biodiesel bate novo recorde em 2025

DE OLHO NO BIODIESEL BOLETIM SEMANAL DE MERCADO DA SCA BRASIL 02 a 06/02/2026

O setor brasileiro de biodiesel bateu novo recorde em 2025, com a produção de 9,84 milhões de m³, crescimento de 8,6% em relação aos 9,0 milhões de m³ registrados em 2024. As vendas no mercado interno somaram 9,6 milhões de m³, enquanto as exportações atingiram 94 mil m³. Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o nível de utilização do parque industrial alcançou 63,2% da capacidade instalada de 15,6 milhões de m³, patamar próximo ao recorde de 63,4% observado em 2019. A demanda por diesel B no mercado interno totalizou 69,5 milhões de m³, alta de 3% frente a 2024, configurando o quinto recorde anual consecutivo.

No uso de matérias-primas, o óleo de soja manteve posição dominante em 2025, respondendo por cerca de 77% do total, com consumo estimado em 7,29 milhões de m³, apesar de alguma perda de participação no segundo semestre. O sebo bovino ganhou espaço ao longo do ano, impulsionado por restrições às exportações para os Estados Unidos, e fechou 2025 com 672 mil m³ utilizados, crescimento de 14% em relação a 2024 e o maior volume desde 2019. Em dezembro, no entanto, o óleo de soja voltou a recuperar participação, enquanto o uso do sebo recuou com a retomada parcial das exportações. O movimento reforça que, apesar da maior diversificação do mix, o óleo de soja segue como pilar estrutural do biodiesel no Brasil, tendência que deve se manter com a consolidação do B15 em 2026.

A colheita da safra de soja 2025/26 no Brasil avançou de forma consistente e alcançou 11,4% da área plantada no início de fevereiro, segundo a Conab, ritmo superior ao observado no mesmo período do ciclo passado (8%) e muito próximo da média dos últimos cinco anos (11,8%). O avanço semanal foi de 4,8 pontos percentuais, com destaque para Mato Grosso, que lidera os trabalhos e apresenta produtividades acima das estimativas iniciais, enquanto estados como Paraná e Mato Grosso do Sul ainda demandam atenção em função de calor excessivo e redução das chuvas. No plantio, os trabalhos estão praticamente concluídos, com 99,6% da área semeada, índice levemente acima da média histórica, reforçando a percepção de bom andamento operacional da safra no país.

No mercado internacional, o óleo de palma encerrou a semana em queda, registrando a primeira perda semanal desde dezembro, pressionado pelo enfraquecimento de óleos concorrentes, especialmente em Dalian, e pelo fortalecimento do ringgit malaio. Apesar disso, os fundamentos seguem relativamente construtivos, com expectativa de queda dos estoques na Malásia em janeiro, diante da retração sazonal da produção e da recuperação das exportações, sobretudo para a Índia, que apresentou aumento expressivo das compras no início do ano.

O óleo de soja apresentou movimentos mistos ao longo da semana, refletindo a combinação entre suporte pontual da soja em grão e expectativas positivas para a demanda futura, e pressão exercida pela rolagem de contratos e pela volatilidade do petróleo. Apesar de sessões de ajuste, o mercado caminhou para alta semanal, reagindo a notícias sobre possíveis acordos comerciais envolvendo Estados Unidos, Índia e China, que elevaram as expectativas de exportações americanas e de um balanço doméstico mais apertado, ainda que de forma moderada.

A divulgação de novas diretrizes pelo Departamento do Tesouro dos EUA sobre o crédito 45Z foi um dos principais vetores de atenção do mercado na semana, ao esclarecer pontos relevantes da regulação, como a restrição de matérias-primas elegíveis a EUA, Canadá e México, a exclusão da penalidade por mudança indireta do uso da terra e a extensão do benefício até 2029. A medida foi recebida de forma positiva pelo mercado de óleos vegetais norte-americano, ao melhorar a atratividade do óleo de soja como matéria-prima para biocombustíveis, embora persistam incertezas quanto aos critérios finais de cálculo da intensidade de carbono e à efetiva implementação do crédito, fatores que ainda limitam uma reação mais estrutural da demanda no curto prazo.

No Brasil, o destaque esteve na forte recuperação das exportações de óleo de soja em janeiro, que alcançaram 145 mil toneladas, maior volume desde agosto de 2025, impulsionadas pela ampla oferta doméstica e por um mercado interno menos aquecido. O aumento do diferencial negativo no basis em Paranaguá reforçou a competitividade do produto brasileiro no mercado externo e deve seguir como fator de apoio aos embarques nos próximos meses, com dados de line-up indicando continuidade do bom ritmo em fevereiro.

No mercado doméstico, o prêmio de março/2025 do óleo de soja FOB Paranaguá anulou a valorização da commodity na Bolsa de Chicago, caindo 110 pontos, fechando a semana em -2,20 cents/lb. Dessa forma, o flat price do óleo de soja FOB Paranaguá fechou em US$ 1.171,32/ton, valorização de 1,37% em relação à semana anterior.

Elaboração: SCA Brasil

O mercado spot apresentou uma semana de boa liquidez e no levantamento realizado pela SCA Brasil, foi apurado um volume de 3.445 m³. O preço médio foi de R$ 5.424/m³, com PIS/COFINS e sem ICMS, uma redução de 1,5% em relação à semana anterior.

Elaboração: SCA Brasil

No âmbito regulatório, o STJ suspendeu as liminares que vinham permitindo a distribuidoras de combustíveis adiar o cumprimento das metas do RenovaBio, restabelecendo a aplicação uniforme das regras do programa. A decisão interrompe a prática de depósitos judiciais em substituição à compra de CBios, considerada pelo governo uma distorção concorrencial e uma ameaça à previsibilidade regulatória. Segundo o MME (Ministério de Minas e Energia) e a ANP, a medida reforça a segurança jurídica, preserva o núcleo do RenovaBio como instrumento central da política energética e climática e fortalece o mercado de créditos de descarbonização.

Segundo o levantamento realizado entre 26/01 e 01/02 pela ANP, o preço médio do biodiesel negociado entre usinas e distribuidores ficou em R$ 5.552,98, desvalorização de 0,36% em relação ao valor médio da semana anterior. A região Centro-Oeste apresentou a maior valorização com 3,14% e a região Sudeste apresentou a maior desvalorização 2,51%. O mercado acumula uma redução de 6,24% no ano.

Elaboração: SCA Brasil