Colheita da soja atinge 4,9% da área plantada no Brasil

DE OLHO NO BIODIESEL BOLETIM SEMANAL DE MERCADO DA SCA BRASIL 26 a 30/01/2026

A colheita da soja no Brasil ganhou ritmo na safra 2025-2026, alcançando na última semana 4,9% da área plantada, avanço expressivo frente aos 2% da semana anterior e acima dos 3,9% registrados no mesmo período do ano passado, segundo a AgRural. O Mato Grosso segue liderando os trabalhos, com aceleração também no Paraná e início ou intensificação da colheita em outros estados, mantendo a perspectiva de uma grande safra. Ainda assim, o clima mais seco e quente no Rio Grande do Sul segue como ponto de atenção para a definição da produtividade.

Na comercialização, o mercado da soja segue mais travado, mesmo com o avanço rápido da colheita e a expectativa de safra recorde, devido à combinação de oferta abundante com comportamento cauteloso dos agentes. Segundo a TF Agroeconômica, a pressão sazonal da colheita tem sido parcialmente compensada por prêmios firmes nos portos e pelo câmbio. No mercado interno, a indústria tem pago melhor que a exportação, sustentada pelo bom desempenho do farelo, pela necessidade de manter o esmagamento ativo e pela demanda doméstica por óleo e biodiesel.

No mercado internacional de óleos vegetais, o óleo de palma passou por realização de lucros na semana, após atingir os maiores níveis em cerca de três meses, movimento associado ao enfraquecimento recente de outros óleos vegetais. Ainda assim, os fundamentos seguem construtivos, com destaque para a aceleração das exportações da Indonésia em dezembro, impulsionada pela recuperação das compras da Índia e da China, além da expectativa de antecipação de embarques antes do aumento do imposto de exportação em março, de 10% para 12,5%. No pano de fundo, a manutenção do B40 continua limitando parte do excedente exportável.

Da mesma forma, o óleo de soja encerrou a semana em queda na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), com o contrato de março/26 fechando a 53,51 cents/lb, recuo de 0,89% na semana. O movimento refletiu principalmente realização de lucros, o enfraquecimento recente do petróleo e a frustração do mercado com a ausência de definições concretas sobre o crédito 45Z e as metas da EPA para biodiesel e HVO. A correção do Brent e da soja em grão manteve o viés mais defensivo no curto prazo.

Ainda assim, no acumulado de janeiro, o desempenho do óleo de soja foi fortemente positivo, com alta próxima de 11%, sustentada pela valorização expressiva do petróleo e do heating oil, pela forte queda do dólar e pelo avanço relevante dos créditos RINs, que melhoraram parcialmente as margens do setor. Mesmo com exportações americanas ainda abaixo do observado no ano passado, o otimismo em relação a 2026 e a expectativa de maior clareza regulatória seguem oferecendo suporte estrutural ao mercado.

No mercado doméstico, o prêmio de março/2025 do óleo de soja FOB Paranaguá compensou a desvalorização da comodity na Bolsa de Chicago e subiu 110 pontos, fechando a semana em -1,10 cents/libra. Dessa forma, o flat price do óleo de soja FOB Paranaguá fechou em US$ 1.155,44/ton, valorização de 1,20% em relação à semana anterior.

Elaboração: SCA Brasil

O mercado spot apresentou mais uma semana de baixa liquidez e no levantamento realizado pela SCA Brasil, foi apurado um volume de 720 m³. O preço médio foi de R$ 5.504/m³, com PIS/COFINS e sem ICMS, uma pequena redução de 0,9% em relação à semana anterior.

Elaboração: SCA Brasil

Segundo o levantamento realizado entre 19/01 e 25/01 pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do biodiesel negociado entre usinas e distribuidores ficou em R$ 5.572,80, desvalorização de 0,26% em relação ao valor médio da semana anterior. A região Norte apresentou a maior valorização com 1,03% e a região Sul apresentou a maior desvalorização, com 1,30%. O mercado acumula uma redução de 5,91% no ano.

Elaboração: SCA Brasil