
O Brasil virou referência mundial em biocombustíveis por uma combinação rara de urgência econômica, política pública e capacidade industrial. O ponto de virada tem data: 14 de novembro de 1975, quando o governo instituiu o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) para atender à política de combustíveis automotivos. Em 2025, o programa completou 50 anos, diz nota do “Carros iG”.
A história do carro a álcool, porém, não começou na concessionária. Ela passou por testes, adaptações de motor, rede de abastecimento e uma aposta que só faria sentido se o consumidor topasse entrar no jogo. Em 1979, esse “sim” ganhou nome: Fiat 147 a etanol, o primeiro carro de produção em série do mundo movido por esse combustível.
Por que o etanol virou prioridade nacional
A década de 1970 foi dura para países dependentes de petróleo importado. O Brasil sentiu no caixa: um estudo acadêmico ligado à USP/Esalq registra que o gasto com importação de petróleo saltou de US$ 600 milhões em 1973 para US$ 2,5 bilhões em 1974, pressionando a balança comercial e a inflação.
O Proálcool foi a resposta institucional. O decreto que o criou fala em “necessidades do mercado” e “política de combustíveis automotivos”, deixando claro que o objetivo era estruturar uma alternativa para gasolina e reduzir vulnerabilidade externa.
Antes do carro, vieram os testes e a confiança do público
No papel, o programa era ambicioso; na mundo real, ele precisava funcionar. Foi nesse ambiente que o etanol hidratado ganhou escala e exigiu adaptação técnica. Partida a frio, acerto de carburação e preparação das partes internas do motor contra a corrosão passaram a ser tão importantes quanto o combustível em si.
1979: o Fiat 147 colocou o álcool no mapa
O Fiat 147 a álcool, o popular “cachacinha” chegou ao mercado em 1979 e virou marco. Segundo a Fiat, testes rodoviários extensos foram feitos na época para que o 147 fosse mais do que apenas um protótipo, mas uma solução viável e segura para os clientes.
Anos 1980: o álcool vira febre e também vira dor de cabeça
O etanol cresceu com incentivos e oferta, mas a relação com o consumidor oscilou. O mercado viveu períodos de adesão forte e momentos de desconfiança, influenciados por variação de preço, disponibilidade e desempenho no dia a dia.
Esse histórico explica por que, mais adiante, a indústria buscou uma solução que desse liberdade ao motorista. O brasileiro gostava do álcool quando valia a pena, mas não queria ficar refém.
2003: o flex resolveu o “medo do combustível único”
A virada tecnológica veio com o flex. Em 24 de março de 2003, a Volkswagen apresentou o Gol Power 1.6 Total Flex, o primeiro modelo vendido no Brasil capaz de rodar com gasolina, etanol ou qualquer mistura entre os dois.
Desde então, o carro flex se notabilizou como padrão no Brasil, chegando ao ponto de se associar à eletrificação, com modelos como o Toyota Corolla Hybrid, que associa o motor elétrico ao flexível em combustível.
Fonte: Carros iG