
O ponto central agora é o custo dos fertilizantes e defensivos entrando no planejamento da safra 2025/26. O produtor já sente que o pacote de insumos continua caro, e o desafio imediato é não deixar esse aumento comer a margem antes mesmo da colheita. Não é só preço de produto. É câmbio, frete, concentração do adubo e eficiência no uso que estão pesando na conta, destaca nota do “Agronews”.
O que está acontecendo com os preços dos fertilizantes
Os dados oficiais mais recentes mostram que o fertilizante importado chegou a 2025 em patamar elevado. Na parcial de janeiro a agosto de 2025, o preço médio FOB das importações ficou em US$ 340,3 por tonelada, cerca de 10% acima do mesmo período de 2024, segundo números da COMEX/MDIC compilados ao longo de 2025.
Em agosto de 2025, esse movimento ficou ainda mais claro, com o preço médio FOB atingindo US$ 358,4 por tonelada, alta de 12,7% sobre agosto do ano anterior. Isso mostra que não foi um pico isolado. O mercado trabalhou firme durante todo o ano.
Análises setoriais feitas ao longo de 2025 indicam que os fertilizantes devem seguir em patamar relativamente alto e com tendência de alta moderada para 2026. O maior foco de pressão segue sendo o fósforo, principalmente produtos como MAP, SSP e TSP.
Composição do adubo e custo real por nutriente
Quando o produtor olha apenas o preço da tonelada, pode perder dinheiro. O que manda na decisão é o custo por ponto de nutriente. Em 2025, o MAP 11-52 apresentou custo médio de US$ 13,27 por ponto de nutriente, enquanto o SSP 20% P₂O₅ ficou em US$ 12,25.
O detalhe importante apareceu no fim do ano. Em 18 de dezembro de 2025, esses valores praticamente se encontraram, com o MAP a US$ 12,21 e o SSP a US$ 12,75. Na prática, a vantagem dos produtos de menor concentração diminuiu bastante.
Nos nitrogenados, o movimento foi parecido. Em 2025, o custo médio por ponto de N foi de US$ 9,11 para ureia e US$ 8,67 para sulfato de amônio. Já em dezembro, com a ureia ao redor de US$ 398 por tonelada CFR Brasil, o custo por ponto caiu para US$ 8,65, ficando abaixo do sulfato.
O recado é direto: para 2026, existe espaço para ganho de eficiência com adubos de maior concentração, reduzindo custo logístico e custo por nutriente aplicado.
Frete pesa e muda a conta no interior
Outro fator que não dá para ignorar é o frete. No fim de 2025, o uso mais rígido do sistema eletrônico de fiscalização da tabela de fretes mínimos da ANTT elevou o custo do transporte de fertilizantes.
A tendência apontada é de manutenção de fretes rodoviários em patamar mais alto em 2026. Isso pesa especialmente quando o produtor opta por produtos de menor concentração, que exigem maior volume físico para entregar o mesmo nutriente na lavoura.
Na prática, o produtor sente isso no bolso quando o adubo chega mais caro na porteira, mesmo que o preço internacional não tenha subido na mesma proporção.
Câmbio, soja e relação de troca
Mesmo com fertilizantes caros, a relação de troca no Brasil segue menos desfavorável do que em outros países. Análises feitas ao longo de 2025 indicam que o câmbio ainda elevado e os preços relativamente competitivos da soja e do milho ajudam a sustentar o consumo de fertilizantes.
Isso explica por que o Brasil registrou entregas recordes de fertilizantes em 2025 e deve manter crescimento em 2026, mesmo sem alívio significativo nos preços.
Para quem acompanha indicadores oficiais e análises de mercado, como os dados do Cepea, fica claro que a decisão de compra não pode ser adiada sem critério. Relação de troca boa hoje não garante margem amanhã se o custo de produção escapar do controle.
E os defensivos agrícolas, como ficam
No caso dos defensivos, o cenário exige ainda mais cautela. Até o início de 2026, não existem séries oficiais consolidadas de preços divulgadas por Cepea, Conab, Embrapa ou outras entidades públicas.
O que existe são informações de mercado privado, que variam muito por região, produto e momento de compra. Isso significa que o produtor precisa redobrar a atenção na negociação, no planejamento de aplicações e no uso de manejo integrado.
Sem referência oficial clara, o risco é pagar caro por tecnologia que não entrega retorno se mal posicionada no manejo.
Estratégias práticas para proteger a margem
Com esse cenário, algumas decisões fazem diferença direta no resultado da safra:
Rever a fórmula do adubo, priorizando custo por nutriente e logística, não apenas preço da tonelada.
Planejar compras com antecedência, aproveitando janelas de câmbio e evitando picos de frete.
Ajustar doses com base em análise de solo e histórico de produtividade, buscando eficiência.
Negociar defensivos com foco em manejo, evitando aplicações desnecessárias e sobreposição de produtos.
Fonte: Agronews