Eurochem capta R$ 450 milhões em sua primeira operação com FIDC

EuroChem tem 22 misturadoras no País – Foto: Eurochem/Divulgação

Em meio à escassez de crédito bancário para o agronegócio, a Eurochem estreou no mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e levantou R$ 450 milhões. O recurso será usado para financiar a compra de fertilizantes por parte dos clientes da companhia — sobretudo produtores rurais. O fundo é ancorado pela Kinea, que aportou recursos tanto via seu fiagro listado (KNCA11) quanto por meio de outros fundos sob sua gestão.

Segundo reportagem do site The AgriBiz, o fundo tem prazo de 36 meses, a partir de junho deste ano, com recebíveis sendo revolvidos a cada safra. Até agora, foram integralizados R$ 120 milhões, e a expectativa é concluir a captação nos próximos dois meses, quando ocorre o maior volume de direitos creditórios ligados ao ciclo agrícola.

O FIDC conta com cotas sênior e subordinadas. A cota sênior, subscrita integralmente pela Kinea, remunera CDI + 2,75% ao ano. Por ora, a gestora aplicou R$ 30 milhões, mas o valor pode crescer conforme o apetite do mercado e o desempenho do fundo.

A Eurochem subscreveu integralmente a cota subordinada, em linha com as boas práticas do setor, reforçando o alinhamento de interesses. O nível de subordinação é de 25%, considerado suficiente para absorver eventuais perdas.

Para Felipe Greco, gestor de agro da Kinea, a operação beneficia todos os envolvidos: “Os clientes da Eurochem conseguem acesso a crédito, a empresa amplia as vendas com funding competitivo e os investidores têm exposição a uma operação de alto nível de crédito.”

Já Cristiano Greve, sócio da Integral Investimentos, destaca a robustez da estrutura. “O nível de subordinação foi desenhado para dar conforto ao investidor, garantindo resiliência mesmo em cenários adversos”, afirma.

O movimento da Eurochem reflete a maior busca do agronegócio por alternativas de financiamento além dos bancos tradicionais. Os FIDCs têm ganhado espaço nesse cenário, oferecendo às empresas maior flexibilidade e aos investidores a chance de acessar ativos lastreados em operações de crédito com garantias sólidas.

Íntegra da matéria: The Agribiz